Bicentenário!

Que os argentinos são patriotas, isso todos os brasileiros falam. Aqui essa impressão é mais marcante ainda. Não sei se é a nossa falta de interesse pela política brasileira ou se são as energias da Copa do Mundo se esvaindo por cada poro do povo aqui de baixo, mas que se nota um patriotismo incrível em cada lugar que se passa, isso se nota.

São os cachorros com coleira azul e branca na esquina con las calles La Rioja y San Jeronimo, os broches pregados no peito dos estudantes que sobem no ônibus da linha 2 rumo ao campus do Pozo da UNL, em sinal de memória do ato da Revolução de 25 de Mayo, ou simplesmente um simples chico de Mendoza me perguntando sobre a política do Lula e o que eu acho dela.

não tenho foto de um cachorro na esquina da La Rioja mas tenho da Luiza tomando um mate 🙂

E falando em Revolução, nesse último 25, terça, foi comemorado o bicentenário da independência da Argentina. Na verdade, a independência aconteceu no dia 9 de Julho de 1816 mas foi em 25 de Maio de 1810 que se deu o pontapé inicial à revolução que se encaminhou rumos à independência.

Com isso, não preciso nem comentar a mobilização do país para comemorar a data… um pessoal aqui da residencia foi à Buenos Aires pra participar dos shows e festas que se deu lá enquanto que aqui em Santa Fé tivemos comemorações mais modestas. Um desfile na praça 25 de Mayo e um show no Parque Sur pela manhã, aos quais eu não assisti porque só fui lá depois com mais um grupo da casa, curtir o fim do dia nos gramados junto com muitos outros santafesinos.

chicas guapas en el parque

as sociólogas do grupo em ação

Pero sabe la mayoria qué se celebra cuándo se tiren fuegos artificiales en la Plaza de Mayo?

25 de Mayo de 1810 é o marco do rompimento com a ordem colonial do Rio da Prata, quando pela primeira vez se monta um autogoverno, mas o fato não ocorreu de forma isolada se não como um processo estreitamente ligado ao processo revolucionário americano. Argentina foi um país pensando como uma alternativa, ao sul, aos Estados Unidos e isso não levou a nada. Não conseguiram se definir como um país e desde então há sofrido um processo de decadência progressivo.

“…1810 no es el nacimiento de la Nación argentina como tal sino que es parte del proceso de su construcción, dificultosamente resuelto y recién consolidado hacia fines del siglo XIX. Por qué celebrar entonces el 25 de Mayo? Porque mayo tiene la fuerza de mostrar la capacidad de hacerse cargo de los destinos de una sociedad.”

anarquismo e Juan de Garay juntos no dia da Revolução

Argentina é um país que sempre teve um crescimento enorme em termos de desigualdade, incerto dentro do continente mais desigual do planeta. E agora, o povo chega ao bicentenário pensado e repensado a partir dos centros, onde as periferias não têm muito o que dizer em relação à construção de um cenário social e territorialmente mais coeso.

Desde os aspectos político, social e cultural o Bicentenário é mencionado mas com pouco reflexão sobre o tema. Nem todos se lembram dos ideais de revolução, emancipação, igualdade e soberanía que tinham aqueles revolucionário em princípios do século XIX, se bem que nem na época esse pensamento era bem disseminado, ficando isolado apenas no meio elitizado onde se pregava uma demorcracia onde só os poderosos tomavam as decisões.

plaza 25 de Mayo

Tudo bem que estou eu aqui, sentanda da minha “silla” no comedor da residencia, às 3:19 da tarde do dia 27 de Mayo, com minha roupa de escalada enquanto o Alejandro e Bárbara dão gargalhadas na cozinha com mais outras pessoas, e Jordi estuda em seu computador e Camila come um prato de vagem, abobrinha e tomate silenciosamente ao meu lado.

Pode parecer banal ou que eu sou uma “péla-saco” da militancia ou do senso revolucionário na Argentina, mas na verdade, pelo simples fato de estar aqui, me sinto um pouco parte de todo o contexto, e acho legal que pelo menos boa parte da população se proponha a repensar assuntos pertinentes à evolução de uma política e um bem-estar. Nada melhor que uma data forte como essa pra reacender o sentimento. E, como se não bastasse, pra acender mais ainda o fogo, temos a Copa do Mundo em menos de 20 dias.

Hasta el Mundial, hermanos!

Pelé es mejor que Maradona, prontofalei.

eu, gatinha, em versão argentina. Viva o mate!

Fonte: “El Paraninfo”, año 7, n. 66, mayo de 2010.

Residencia Estudantil

Hola pueblo y puebla!!

Hace mucho tiempo que no escribo acá por lo tanto creo que los devo alguna satisfación rs

Sim, há um tempo que quero fazer um relato sobre a vivencia de morar con 34 intercambistas numa casa que parece mais uma grande Vila do Chaves. Já com dois meses de casa, são muitas as histórias…

…sessões de filmes pelas madrugadas, churrasco às 8 da manhã, gente que não lava a pilha de louça suja, aqueles que roubam o papel higienico de outrém, sala de estudos com pessoas realmente estudando, viagens, acampamentos, aulas de espanhol, jantares, desayuno, pilates, mural do desabafo…

achei interessante fazer uma compilação visual das experiencias cotidianas (e hilárias!) que todos suelen encontrar mientras vivem y dormen en la residencia para alumnos extranjeros de la calle 9 de julio, 2655.

Segue a galeria. Bom divertimento 🙂

Santa Fé, enfim!

Si chicos, ahora estoy sola.

Resolvi continuar com o blog Trotamerica pra relatar a minha atual experiencia de intercâmbio na cidade de Santa Fé, na Argentina. Apesar de quedarme en un solo lugar (na maior parte do tempo) isso nao significa que eu não esteja mais trotando pela América.

Antes de chegar a Santa Fe, passei 3 dias em Buenos Aires com a minha irmã e cunhado e também me encontrei com a Mayara, minha companheira de intercãmbio, aluna de Adm da UFSC. Rescolvemos curtir a capital um pouco antes de partir pra nossa vida santafesina.

cementerio de la recoleta

23 mil passos em um dia

nat and steve

uma das muitas manifestações trabalhistas em BA

eu e mayara, “turixtas”, na casa rosada

e uma homenagem aos muitos gatos de rua que sobrevivem na cidade… esse aí tava cagando e andando pra mim.

Pois bem, agora estou sentada na minha cama, no quarto de número 13, o qual divido com más otras trés chicas, pero ellas no són argentinas, españolas o mexicanas sino brasileñas mismo. A residencia estudantil em que estou ficando, a chamada RAE 1 (muito famosa aqui na cidade, por sinal), habitam 34 alunos do programa de intercâmbio Escala Estudantil, sendo que dentre esse número, 22 são brasileiros. De resto, há um francês, dois espanhóis, 4 mexicanas, 1 marroquino, uma paraguaia e me parece que ainda tem uma chilena pra chegar.

Galera da RAE 1!

pelas calles de la ciudad qualquer noite dessas

madrugada de sinuca e boliche…

Há 3 dias na cidade, já deu pra conhecer muita coisa. Parece-me que já faz uns 15 dias que estou aqui!

Tive a grande sorte de conhecer um casal maravilhoso de Santa Fé durante a viagem ao Peru (previamente relatada neste mesmo blog!), o Pablo e a Candelária. Além de nos levarem pra um city tour no domingo e nos mostraram os famosos sorvetes artesanais da cidade, Pablo tem me ajudado muito com os meus problemas bancários e Candelária, com as dúvidas sobre a universidade. Eles são dois anjos! E fazem aulas de salsa num lugar perto de casa e muito barato! Acho que voy empezar a bailar salsa con ellos, por que no?

pablo e candelária, os santafesinos mais amáveis!

Além de toda a assimilação com a nova casa, com as 33 pessoas com quem vou conviver pelos proximos meses, com as tarefas domésticas por realizar e os pepinos burocráticos de visto, banco e  universidade ainda pendentes; há assimilação constante com a nova língua. Tudo bem que é espanhol, ah vai! Mas vocês não fazem idéia como queima neurônio ter que aprender na marra essa língua, desde o “bom-dia” até 0 “boa-noite”. A experiência tá sendo muito rica e desafiadora, principalmente por conta das coisas triviais com que temos que lidar hablando español, tipo cozinhar juntos ou fazer alongamento.

Sim! Alongamento! Com medo de passar um semestre fadada aos alfajores artesanais e ao doce-de-leite, me disciplinei a fazer toda manhã os exercicios de alongamento que eu fazia nas aulas de dança afro em Floripa. E em uma dessas práticas, consegui recrutar alguns membros da casa também! Usamos o espaço da lavanderia pra ter mais privacidade e fugir do sol do pátio. Eles, então, me fizeram de professora e me puseram na frente de todos pra que eu ensinasse (?) os movimentos corretamente. Mas o mais engraçado é ter de fazer isso em espanhol!! Imaginem eu tentando explicar as posições “mesinha” e “cagar no mato”…

diossana e jordi

marcos y jasnin

horacio y mayara

jugando sueca

y fernet… bebida tipica daqui que se toma com refrigerante e tem um gosto horroroso de propolis, rs

E depois de já acostumada ao ritmo novo de vida, há mais uma coisa com que se acostumar: a universidade!

O medo de não conseguir cursar disciplinas em outra língua ou de não acompanhar as matérias (aqui dizem que são bem mais puxadas!) é coletivo. Mas consegui matar um pouco desse medo hoje, afinal foi meu primeiro dia de aula. Depois de conversar com o coordenador, selecionar as disciplinas que cursarei nesse semestre (Taller de Grafica Digital e Antropologia Cultural), ele nos mostrou o predio e tudo o que diz respeito à vida universitaria na Facultad de Diseño y Arquitectura y Urbanismo. Eu e as 4 meninas da Arquiterura que moram comigo na RAE 1 fomos assistir à nossa primeira aula, a oficina de Grafica Digital. Apesar de ser aula introdutória, gostei muito da ementa e da metodologia da disciplina. E melhor, entendi a professora!!! Re buenoooooooo!!

rio setubal, em frente à faculdade

Uma coisa interessante sobre as universidades públicas na Argentina é que, além de serem todas gratuitas, elas não possuem nenhum exame de aceite, tipo vestibular. A entrada é livre! Qualquer um que queira entrar numa universidade, pode. Simples assim.

Essa foi uma conquista ocorrida em 1918 depois de muita luta popular. Claro que além de suas vantagens há também os problemas. Como, por exemplo, a super lotação. Somente no curso de Arquitetura da UNL há 3.500 alunos. Design, um pouco menos: 2.000 alunos. Hoje passei numa sala que parecia o inferno materializado! Imagine uma sala de cursinho do Energia. Multiplica por 5. Dios mio! Era uma aula que tava tendo de alguma matéria teórica que, justamente por ser teórica e nao precisar de equipamentos, computadores ou ferramentas de desenho, eles amontoaram todas as almas que encontraram dentro daquele recinto.

Bien, pueblo y puebla, creo que esto seja todo. Escrevi bastante, claro que muitas coisas ficaram de fora, mas dá um desconto aí, estou apenas iniciando a jornada. E em 10 min tenho que sair pra milonga, há!!!

Até o próximo post!

Besos da mujer basorera.

Coca? É de beber, cheirar ou comer?

Resolvi escrever esse post para esclarecer as muitas verdades distorcidas sobre a folha de coca, símbolo nacional boliviano e fruto de muitas divergencias quanto ao seu valor cultural e economico.

a folha de coca

– Um breve histórico sobre a coca na Bolívia

A folha de coca possui funcoes culturais, ritualisticas e nutritivas milenares. A folha em si é inofensiva e nunca houve problemas com cocaína no país até os Estados Unidos se meterem na história, ó que novidade.

A partir da década de 70, sob o pretexto de haver narcotrafico e excessiva producao de cocaina na Bolivia, o governo norte-americano firmou um acordo com o governo boliviano a favor do controle e erradicacao das plantacoes de coca. Até entao, o que existia era o comércio exclusivamente interno das folhas e sem dano algum a saúde. O consumo sempre se destinou aos trabalhadores das minas e campesinos (a coca fornece mais energia e tira a fome e o sono, uma vantagem para que se produza mais e tambem para aqueles que nao tem como parar pra comer durante a jornada de trabalho), nas grandes altitudes e nas regioes de baixas temperaturas.

consumo de coca dentro das minas

cholas consumindo coca na rua

Entao, esse acordo firmado permitiu que houvesse substituicao das plantacoes de coca por outros tipos de cultivo, como a banana e o cafe, por exemplo. O governo fornecia sementes e as ferramentas necessarias para esse novo cultivo, porém somente para aqueles campesinos que possuiam alguma plantacao de coca.

Logo, quem nao plantava coca, comecou a faze-lo apenas para obter essas “vantagens” oferecidas pelo programa. Comeca, pois, o primeiro impulso para o crescimento exagerado e sem sentido da coca na Bolivia. No final dos anos 80, os Estados Unidos chegaram ao cumulo de oferecerem dois mil dolares por cada hectare de coca. Imaginem o que significa esse valor para um simples campesino??? Acabava que eles semeavam a coca, arrancavam, limpavam o terreno e recebiam o dinheiro.

a planta

Mas como nem tudo cheira a rosas (ou a coca, duh), grande parte desse dinheiro acabava nos bolsos dos politicos. O resumo da historia é que os Estados Unidos estimularam indiretamente a producao de coca, os campesinos plantaram e de endividaram e, no final, muitos nao viram nem a cor do dinheiro.

Os norte-americanos, em seguida, propuseram a substituicao das plantacoes de coca por abacaxis. E, depois, laranjas. E muitas das mudas trazidas para a Bolivias acabaram por dizimar cultivos tradicionais, alem de nao vingarem no solo bolviano. Os campesinos, entao, mais uma vez, recorreram a unica producao que conseguia subsistir: a coca.

campesino colhendo as folhas

Na década de 80, implantaram-se bloqueios do comercio tradicional para que o valor da coca baixasse e os produtos alternativos tornassem-se mais competitivos. Baixar o preco da coca a tornaria anti-economica e os norte-americanos conseguiriam precos razoaveis para os produtos alternativos.

Mas com a producao e comercio tradicionais da coca encurralados, os campesinos nao viam outra saida que senao vende-la para os narcotraficantes. Havia entao dois tipos de coca: uma cara para os consumidores tradicionais e uma barata para o narcotráfico.

“O que significa tudo isso? Significa que, com sua habitual ignorancia e arrogancia, os norte-americanos incentivaram fortemente a producao de coca e tambem a producao de cocaina na Bolivia. É o sistema que chamo de técnica do balao de borracha (…) Voces apertam num lado e ele enche no outro.”

– Consumo tradicional da coca

mineiros de Oruro

Na verdade, ninguém come a folha de coca. A maneira de consumi-la é a seguinte: poe um punhado de folha na boca, enrola tudo numa bolinha e deixa essa bolinha em um dos cantos da boca (isso aí, tipo um hamster), sem mastigar ou engolir. A folha, além do seu caratér anestésico, possui muitos nutrientes (cálcio e vitaminas, por exemplo), o que faz amenizar a fome quando consumida.

Há pessoas que consomem juntamente com bicarbonato de sódio, pra catalizar o efeito. A primeira vez que provei a folha foi assim e a minha boca ficou dormente em questao de segundos! E, ainda, dá pra encontrar bicarbonato de sódio misturado com glicose, pra quem nao curte o sabor amargo (e horrível, na minha opiniao) da folha de coca.

cházin de coca

Outra alternativa é fazer um chá com as folhas, ou comprar o chá pronto. É mais gostoso e bom de beber no frio.

– E como surgiu a Coca-Cola?

Existia um italiano chamado Angelo Mariani, em 1860,  que tinha um pequeno comércio onde manipulava medicinas. Ele entao, um belo dia, fez um preparado de coca e uma famosa cantora de Paris chegou dizendo que tinha um grande problema, que estava super deprimida e que nao conseguia mais cantar. Mariani, pois, deu-lhe uma garrafa de extrato de coca dizendo que era o melhor remédio que possuía.

Vino Mariani

Mais tarde, Mariani criou um vinho em seu boticário, também à base de extrato de coca, que em pouco tempo vira coqueluche na Europa.  Até o Papa Leao XIII deu-lhe uma medalha de ouro agradecendo pelos benefícios do vinho Mariani.

Quando este vinho foi exportado aos Estados Unidos, o consumo desseminou-se rapidamente. Entretanto, o puritanismo norte-americano encrencou com a bebida porque eles nao permitiam o consumo de álcool. Entao, para nao prejudicar a comercializaçao, eles retiraram o álcool da bebida o que a tornou intragável!

Até que um tal de John Pemberton começou a misturar coisas a esse vinho sem álcool para melhorá-lo. Misturou uma certa espécie de café africano, depois uma outra planta que continha teobromina, um estimulante, e assim por diante. Até que concluiu uma bebida que continha cocaína, cafeína e teobromina, os tres estimulantes mais potentes da natureza!

Já popular nos States

Nesse momento, a bebida possuía mais de 30 substancias para neutralizar o gosto ruim do extrato de coca. Com todas essas misturas, o gosto melhorou e a bebida passou-se a chamar Coca-Cola. E seu inventor, John Pemberton.

Coca-Cola

A coca, um produto andino, se transforma em um símbolo norte-americano, um modo de vida, do capitalismo, do consumo, do individualismo.

–  Governo Evo e a coca

Evo Morales na Assembléia Geral da ONU, em 2006

Todos sabem que o atual governo incentiva a producao cocalera no país.  Em 2009, Evo defendeu a retirada da folha de coca da lista internacional de substancias proibidas, mascando umas quantas perante os 53 ministros dos países membros da comissao da ONU, em Viena.

“La hoja de coca no es cocaína, no es nociva para la salud, no provoca males físicos ni dependencia (…) estas hojas son cultivadas desde hace 3.000 años y son el símbolo de la identidad y la cultura de los pueblos andinos. (…) Si esto es una droga, entonces deberían encarcelarme.” (Evo Morales)

Morales luta contra a estigmatizacao desse cultivo, a partir do qual se fabrica a cocaína, mas que tambem é uma planta sagrada na Bolívia, de cultura e consumo tradicional e terapeutico.

criança indígena oferecendo coca à imprensa, no convite oficial à posse de Evo Morales, La Paz, 2010

Os Estados Unidos condenam esse cultivo, em expansao, o que levou o presidente bolviano a expulsar, no ano passado, a agencia norte-americana de luta anti-droga (DEA) da Bolívia.

Evo Morales, que ainda se apresenta como dirigente dos cocaleiros da zona de Chapare, afirmou que a Assembléia Legislativa Plurinacional (formada nesse ultimo domingo, 24, em Sucre)  aprovará reformas para permitir a legalização dos cultivos conhecidos como “catos de coca” nesta região. Dessa forma, o limite legal de produção da folha na Bolívia pode subir dos atuais 12.000 hectares para 20.000 hectares, com o propósito, segundo o executivo, de impulsionar todas as iniciativas de industrialização da planta.

Coca-Colla???

O governo de Evo Morales expressou seu apoio ao projeto para fabricar uma nova bebida que levará o nome de “Coca Colla”  para contribuir com a industrialização da folha de coca no país.

Víctor Hugo Vázquez, vice-ministro de Desenvolvimento Rural, afirmou que esta se trata de uma iniciativa privada para produzir um energizante de coca. “Estamos vendo como impulsionar-la, porque nos interessa como Estado a industrialização da coca. Estamos analisando se a empresa que produzirá a bebida pode formar uma sociedade mista com o Estado e também se vamos manter esse nome que inicialmente foi proposto pelos produtores de coca”, afirmou.

A iniciativa partiu dos camponeses que ainda sugeriram que a garrafa da “Coca-colla” tivesse uma etiqueta vermelha, contendo um líquido escuro, quase negro, muito parecido a mundialmente famosa “Coca Cola”, criada em 1885 por John Pemberton. Ainda que a empresa Coca-Cola afirme ter tirado o princípio ativo da folha de uma fórmula em  929, abundam na internet as denúncias de que a “Coca-Cola segue comprando coca no Peru”.

Espero ter ajudado a esclarecer muitas duvidas e fatos desconhecidos sobre a folha da coca, sua historia temporal, economica e social. Qualquer equivoco de minha parte, nao hesite em rebater!

sem mais palavras

Besitos e inté a próxima!

Bett.

Fontes: www.iela.ufsc.br, www.taringa.net, livro “Bolívia Jakaskiwa” e Google (imagens).

Estamos bem! Ninguem virou peixe no Peru.

Familia e Amigos!

Devido a forte repercussao das noticias de chuvas fortes nas regioes de Machu picchu e Cusco, no Peru, venho por meio deste infomar a todos que eu, anninha e rafael, com quem viajo neste momento, estamos todos bem! Só agora tomamos conhecimento dos fatos, ao entrar na internet e ler nos jornais essa manha vindo de Potosí a Sucre.

vista do Machu Picchu, de cima do Wayna Picchu

Estávamos em Águas Caliente, cidadezinha que rodea os montes do Machu Picchu, desde quarta passada até sabado de manha. Subimos o Machu Picchu e Wayna Picchu na sexta feira e no sabado de manha retornamos caminhando pelos trilhos do trem, da mesma forma como chegamos a cidade, na quarta feira.

3 horas de caminhada pelos trilhos, retornando do Machu Picchu

Ao longo de todo o trilho até a cidade de Santa Maria, assim como dentro da propria cidade de Aguas Calientes, esse rio é onipresente e de águas muito turbulentas. É agua pra caramba!!! Tiramos fotos e filmamos inclusive, porque é uma fenomeno bizarro. Quando saímos do lugar o rio já estava bastante alto pois chegamos a pegar alguma chuva, mas nada grave.

rio da cidade de Águas Calientes, aos pés do Machu Picchu

Hoje soube que uma argentina e um guia peruano morreram arrastados por esse rio, eles estavam no camping em que pensamos passar as noites aos pés do Machu Picchu. E soube tambem que os trilhos hoje foram soterrados por deslizamentos e estao tentando regularizar a situacao ate amanha, pois a ferrovia é o unico meio de acesso a Aguas Calientes. Muita gente foi resgatada por helicopteros e a embaixada brasileira esta entrando em contato com os MUITOS brasileiros que estao la na cidadela, no momento.

É galera!! Era pra gente estar em contato com o Itamaraty agora, “se avuando” de helicoptero pelas montanhas andinas 🙂

Graças a Deus estamos bem e a sorte está ao nosso lado nessa viagem. (porque passamos por cada uma, que vou te contar…)

Beijos sequinhos!

Bett.

Enfim… Naturaleza!

Uh! Uh! Uh! Que beleza! 
Uh! Uh! Uh! A natureza…

Laguna Chiarkota cerca de La Paz

yo y la laguna Chiarkota!

Despues de 5 dias em La Paz, no domingo (10/01) eu e Eder fomos fazer uma trilha hasta laguna Chiarkota (5.2000 de altitude). O restante nao foi por causa da caganeira, como mencionado no post anterior 😛

Conheci o Freddy, residente de La Paz, atraves do CouchSurfing (www.couchsurfing.com). Pra quem nao sabe, CouchSurfing eh um site de viajantes onde voce oferece acomodacao ou apenas mostra a sua cidade para os estrangeiros, e vice-versa. No meu caso, escrevi pra diversas pessoas de La Paz para ver se alguem topava nos mostrar a cidade e dar dicas legais e, como sempre, alguns respondem e outros nao. Freddy prontamente se dispos a nos conhecer e na quinta a noite saimos para um bar e na noite seguinte fomos numa “boate” local com outros membros do CouchSurfing (colombianos, neo-zelandesa e argentino). Dancar musicas bolivianas e assistir a uma banda local ao vivo foi bem legal 🙂

Entonces no domingo organizamos uma ida com os CouchSurfers ate a Laguna Chiarkota, um lago a umas 2h de La Paz aos pes da Cordilheira Real. Fomos com uma van privada porque pra la nao existe transporte publico e fechamos um grupo de 8 (eu, Eder, uma alema, uma neo-zelandesa, uma america, um frances, um espanhol e Freddy), dando 50 bolivianos pra cada um. A van custa 400 bolivianos porque o cara fica la o dia inteiro esperando a gente voltar pra nos trazer de volta, entao quanto mais gente pra ratear o passeio, mais barato.

inicio da trilha

 O lugar eh simplesmente fantastico. Caminhamos cerca de uma hora e meia pra chegar ate a lagoa. No caminho passamos por uma parecida, soh que menor.

eu e a lagoinha, a lagoinha e eu

No caminho eh possivel ver as montanhas nevadas da Cordilheira Real e muitas lhamas!

lhama pomposa posando pra foto ou fingindo que nao era com ela

silhueta de lhama

Filetes de agua pura, cristalina e gelada cortam o nosso caminho o tempo todo.

apesar de congelante, impossivel resistir

Chegando na Laguna, decidimos subir o monte que fica ao lado da mesma. Ficamos na duvida a principio de subiriamos ou nao porque a altitude nos estava prejudicando bastante. A cada passada que davamos, parecia que estavam nos dando um soco no peito, era muito dificil de respirar. E quanto mais ingreme o caminho, mais complicado…

Pero nao somos de desistir e topamos a jornada.

enfrentando o frio e a altitude na subida do monte

Digo-lhes que foi uma das coisas mais dificeis que ja fiz na vida! A cada passada dava vontade de cair no chao e morrer, era simplesmente impossivel continuar subindo. Com muito orgulho, eu e Eder subimos ate a metade! Apesar do Eder ter ficado dormindo numa pedra um pouco mais embaixo enquanto eu lutei por mais alguns metros acima.

ainda viva

morta.

Goticulas de chuva vinham das nuvens do topo dos picos nevados e em um certo momento ela comecou a aumentar. Desci o caminho com o poncho numa boa e nos abrigamos la embaixo numa casinha que serve de refugio para os amigos do Freddy, que de vez em quando escalam os picos nevados logo a frente.

vista do lago, debaixo do meu poncho

CouchSurfers!

Retornamos a trilha mais lentamente por um caminho diferente (eu, Eder, a neo zelandesa e o Freddy) pra curtimos a natureza e o fim de tarde.

voltando do lago, esse aih eh o Eder

surpresas agradaveis ao longo da descida

e mais surpresa: uma cholinha aparece do nada atravessando o rio correndo pra ir de encontro ao nosso grupo

a cholinha, o menino e o cao param e observam o grupo ir embora...

Na reta final para a van, um arco-iris magnifico veio nos cumprimentar.

retornando pra van (um ponto branco no fundo da foto)

o arco-iris nos cumprimentando e a gente cumprimentando-o de volta

Se tiverem a oportunidade de visitar esse lugar maravilhoso um dia, haganlo!! Essa eh a minha deixa de hoje 🙂

Hasta luego pueblo.

Bett

Caganeira boliviana! um mito?

Vocês já podem imaginar sobre o quê é esse post: a comida na Bolívia! O título faz jus às delícias (e bagaças) que encontramos no caminho e como nós – troteiros brasileiros e ufsquianos – estamos lidando com os temperos e higiene peculiar desse apaixonante país.

feira na rua em La Paz

Vale ressaltar que o nosso baixo orçamento só nos permite comermos nos lugares mais simples. Iguarias como carne de lhama sao um pouco mais caros (nao tanto assim) mas que ainda nao tivemos a proeza y la plata de provar.

Entao vamos começar pelo básico. Pollo.

o super heroi do povao!

Se você nao come frango entao provavelmente passará dificuldades no território boliviano. Praticamente todas as refeiçoes sao compostas por pollo: pollo dorado, pollo a milanesa, pollo broaster.

Um prato básico, num restaurante simples, é composto por uma sopa de entrada, um segundo prato e às vezes uma sobremesa ou um mate de coca.

A sopa pode ser de amendoim (mani), yuca (mandioca), arroz, macarrao (fidel), etc. Esse segundo prato geralmente vem nas opçoes: pollo à milanesa, carne (de vaca) à milanesa, bife com ovo (tipo à cavalo) ou pollo dorado. De sobremesa, só tivemos a experiencia de ganhar umas gelatinas quentes e estranhas aqui em La Paz.

nossa primeira impressao da culinária boliviana no trem da morte

último dia em Mairana, mudando o cardápio pra lentilha com carne e batatas

 

E os temperos?

Pimenta (ají) – Acompanhando os pratos, há sempre na mesa um potinho com molho de pimenta. Essa pimenta é muito saborosa, tem um cheiro (na minha percepçao) de grama ou qualquer mato, é muito colorida e forte! Nao tem como comprar pronta porque eles fazem na hora e nao sei quantos mil ingredientes vao ali dentro. Só sei que vale a pena provar.

Cabelos – Sim, cabelos! Você os encontra em todos os tipos de refeiçoes, desde queijos de feiras, pastéis de rua, até no meio dos pollos, chás e tudo o mais que você puser na boca. Todos sao cabelos grossos e negros, cabelos de Chola! Afinal, sao elas a base da economia informal na Bolivia (vide post da Cholanninha: https://trotamerica.wordpress.com/2010/01/08/quem-sao-as-cholas/) e aparentemente sao elas o “faz-tudo” por onde passamos.

Minha primeira experiência com um cabelo boliviano foi em Samaipata, ao comer um negócio que parecia uma tapioca frita com queijo. Eu peguei aquele fio negro com vontade achando que era um fio delicioso de queijo derretido quando, ao som de “tlec!”, parti o fio ao meio com os dentes e foi entao que caiu a ficha.

Como a maioria da produçao de alimentos vem da regiao norte de La Paz, é possível encontrar refeiçoes mais baratas no altiplano se comparado à regiao oriental (Santa Cruz e fronteira).

cozinhando a janta no quarto em Sta. Cruz de La Sierra, como opçao mais barata

... e fazendo um ovinho mexido pro café-da-manha. "Viu como eu sei cozinhar, mae??"

Em Santa Cruz de La Sierra um almoço nos custava cerca de 12 bolivianos (uns 3 reais e pouco). Em Samaipata, almoçamos e jantamos por 11 bolivianos em uma pousada. Em Mairana, nossa refeiçao saiu 9 bolivianos (e a mais deliciosa ate entao!! Pollo dorado, macarrao, arroz e papas fritas). Em Cochabamba, eu e Éder sentamos num lugar sem perguntar o preço e pagamos 13 e 15 bolivianos respectivamente. Mas tudo bem, a fome era grande e a comida estava deliciosa.

Jojo saboreando um prato de arroz, batata, pollo e macarrao recheado com ovo (caminho entre Mairana e Cochabamba)

meu prato de 13 bs em Cochabamba

prato do Éder de 15 bs em Cochabamba

Agora em La Paz, achamos um lugar onde o almoço custa 6 bolivianos e a janta 4 bolivianos. O mesmo lugar das gelatinas extraterrenas.

o dito cujo

mas a cara era boa... (e o gosto também!)

muito boa!

Comemos por uns 3 dias seguidos lá até nosso estomago e intestino disserem “chega!”. Entao, no sábado (09/01) resolvemos mudar um pouco o cardápio e nos demos ao luxo de sentarmos num restaurante italiano e comermos spaghettis. Pra mim foi um prato dos deuses, um spaghetti à bolonhesa naquele momento foi a melhor coisa que poderia me acontecer! Se eu cheirasse ou degustasse qualquer pollo ou papas fritas mais uma vez, eles seriam evacuados por cima ou por baixo instantaneamente.

Maaas, isso acabou acontecendo com quatro membros da nossa trupe: Anninha, Jojo, Rafa e Éder. Eles finalmente provaram da caganeira (Anninha, Rafa e Éder, o gorfo) boliviana e foi instantaneamente após o nosso almoço italiano. Por isso que a culpa já pode ser retirada do restaurante mamma mia, já que uma digestao demora no mínimo algumas horas para ser concluída.

Anninha maaal só à base dos crackers

Todos cremos que foi culpa do nosso desayuno. Trouxemos um queijo branco de feira e uma supervitamina que a Chola colocou tudo o que tinha na vida dentro (leite, amendoim, manjericao, hortela, abacaxi, morango, mamao, banana, etc.).

Por incrível que pareça, a vitamina estava muito saborosa e foi a unica coisa que consegui ingerir. Já o queijo… além de cabelos de Chola, estava amarelado e azedinho. A galera conseguiu por pra dentro com a juda do paozinho também trazido da feira.

Pau-de-santo foi fundamental pra manter o ar do quarto respirável

E entao, de noitezinha, a caganeira me pegou também! Má oeee.

Nao sei do que foi, mas foi uma vezinha pra eu ficar bem de novo. Nao fiz parte da maratona cagosa que rolou no albergue no domingo (10/01) entre a Anninha e Rafa porque estava no lago Chiarkota subindo uma montanha a 5.200 metros de altura 🙂

curtindo la naturaleza boliviana enquanto los otros curtiam uma caganera boliviana

Besos (y nao quesos) a todos!

Bett.