Como assim índios no poder?

A Bolivia vive um momento muito especial atualmente. Mas como a História não é um caminho tranquilo, os trancos são muitos e os barrancos ainda bem altos para a Revolução Democrática e Cultural boliviana.

O termo – Revolução – pode espantar muitos mas para quem está acompanhando de perto, não resta dúvida: a bolivia está sendo refundada à favor das gentes que, desde a chegada do europeu em nossas terras, nunca mais foram levadas em conta.

Agitação social em La Paz, Janeiro de 2010

“Ué, mas isso não pode estar acontecendo! Cadê a ditadura do proletariado boliviano então?” – diriam alguns. ” Na Bolivia? Aquele país tão pequeno e sem tradição não tem como dar o exemplo pra gente, né?” – diriam outros. Estas e muitas outras indagações cristalizam o eurocentrismo onipresente em nosso pensamento hà tanto colonizado.

Queiram os manuais “marxistas-ortodoxos” e franco-americanos ou não, aqui quem encabeça a mudança são os povos originários . Foram estes que bancaram o questionamento ao modelo neoliberal implantado na Bolivia e trouxeram boas novas – e um projeto de nação indigena e popular – para los de abajo após a perda da vitalidade do movimento operário boliviano.

É que a economia boliviana mudou nas ultimas décadas. As manufaturas e as minas perderam a antiga centralidade que tinham na economia do país e, com isso, o movimento operário, sua tradicional vitalidade. Isso explica porque a Central Obrera Boliviana (COB para os íntimos) não é mais vanguarda de coisa nenhuma!

Mas quem disse que a COB sumiu? Presente nas marchas que derrubaram o Presidente Carlos Mesa em Maio de 2005

Quem puxa a coisa toda hoje é o Instrumento Politico para a Soberania dos Povos (nome original do MAS), essa aglomeração de organizações sociais edificada por iniciativa dos povos originários e que impulsionou Evo Morales e Alvaro Garcia Linera para a presidência e vice do executivo.

Movimiento Al Socialismo - Foto de Sarah Pabst

Isso acontece porque são exatamente estes que se encontram – desde sua forma milenar de organizar sua economia, cultura, sistema politico, enfim, sua vida comunitária – nas enclaves estratégicas do desenvolvimento neoliberal boliviano: a destruição das plantações de Coca, o avanço do latifúndio e a privatização dos recursos naturais vitais – água, terra, petróleo e gás, fundamentalmente.

Povo Invocado né não?! - Foto de Sarah Pabst

Ó là! Não tem coincidência: Evo Morales era sindicalista cocalero no Chapare e sua liderança nasce na resistencia aos projetos estadunidenses para a Coca e a Confederacion Sindical Unica de los Trabajadores Campesinos de Bolivia (entidade que organiza exatamente as comunidades e os trabalhadores do campo boliviano) foi uma das principais protagonistas na “Guerra del Agua” – onde tudo começou..

Um dos muitos Evos pelos muros de La Paz, e a água.

Evo na telinha, em Copacabana

É deste cenário de lutas concretas por uma vida digna e contra uma elite local retrógrada e aliada ao iperilismo estadunidense que surge o MAS-ISPS.

Mas como assim “desde sua forma milenar de organização”?! Um flashback rapidinho pra tratar disso.

Desde os espanhóis é que a resistencia dos povos originários… resiste! =/ Quando eles chegaram, se depararam com sociedades desenvolvidas (o império Inca tinha “acabado” de conquistar o Império Colla aymará, por exemplo) e não teve outra opção à não ser se sobrepor às mesmas, já que não tinha nenhuma possibilidade de simplesmente erradicá-las. Ou seja, os aymará, os quechuas, os guaranis continuaram se organizando como o faziam antes pero, ao invés de pagar impostos e destacar mão de obra para a realeza Inca, o faziam para a coroa espanhola.

Chola colhendo representando a policultura originária e lancha o liberalismo-imperialista, na Ilha do Sóol..

De forma beeeem simplificada, é assim que os espanhóis garantiram que a prata fosse pra europa e, do mesmo jeito, que a cultura originária sobreviveu hasta los dias de hoy! É claro que os espanhóis, nesse processo, nunca deixaram de tentar corromper todas as autoriades comunitárias para seus interesses – muitas vezes com sucesso – mas, assim mesmo, até hoje mais de 60% da população boliviana se proclama originária de alguma forma!!

Pooooor issoooo, é que não é nenhuma simbologia barata colocar a wiphala – bandeira originária – triunfante ao lado da bandeira nacional no Palácio Quemado (presidencial) na praça murillo; passar a denominar o Estado Boliviano de Plurinacional; ou empossar o primeiro presidente indigena da América Latina em Tiwanaku, capital espiritual dos povos originários desde tempos anteriores ao império Inca.

Wiphala no Palacio Quemado

E as mesmas cores nas mãos das povas

É assim que quem, à muito, não tinha vez em sua própria terra, volta a opinar e dar suas cores nos momentos e lugares que decidirão os rumos da sociedade boliviana e da construção de seu socialismo comunitário, único e criativo, como tudo na Bolívia!

Ultimas Peripécias Bolivianas

Povo,

para uma parte dos Trotaméricas a viagem chegou ao fim.

Eu e a Rafa pegamos um avião de La Paz à Puerto Suarez no dia 19/01 para chegar a tempo para a formatura do Rodrigo (primo da Rafa) em Araçatuba que está se formando em Direito. Por ser afilhado da mãe da Rafa, o compromisso era inadiável. Deixamos, então, a Bolivia para trás e viajamos de volta à Ja(h)les, mas não sem antes passar rapidinho por Coroico e conhecer uma parte diferente desse país – relato logo abaixo!

A intensidade da viagem terminou (snif!) mas a tranquilidade do interior paulista nos traz a oportunidade de refletir sobre tudo o que aconteceu e relatar aquilo que a correria não permitiu. Portanto, novos posts virão com aventuras atrasadas, pensamentos anotados e guardados e impressões ainda frescas em nossas cabecinhas.

Caderninho de Anotações

Entonces, vamos logo à Coroico.

O Ecoturismo, a Neblina e o Morro:

O Ecoturismo está na moda! Não é por menos. Qualquer alma sã, na correria cotidiana, almeja um lugar tranquilo com paisagens deslumbrantes e desertas, caminhadas emocionantes e quem sabe algo mais radical para os mais “arrojados”. As agências, obviamente, não perderam tempo e pipocam por toda parte com o pacote dos seus sonhos. 

A Bolivia não ficou de fora e são inúmeros os passeios “com tudo incluso” que se encontram por là. Coroico é um desses eco-destinos. Reúne todas as atribuições para tanto: à apenas 2h30 de La Paz, a aventura já começa na estrada, uma das mais ingrimes do mundo – a estrada da morte desce 1.350m em cerca de 60km! – , que pode oferecer uma das vistas mais alucinantes da viagem, garantem os guias. Digo “os guias” porque a gente não deu sorte: a neblina cobria as lindas montanhas e a chuva rolou pelo trajeto quase todo. A emoção, no nosso caso, veio do motorista que mesmo em meio à densa nevoa arriscava as tradicionais ultrapassagens “made in Bolivia”. No entanto, nada impediu a Rafa de dormir o tempo inteiro.

Nevoa Coroicoicana

Mas fiquem tranquilos, a estrada não é a única atração: a região de Coroico é bem diferente do altiplano paceño. Por estar bem mais baixa, as encostas rochosas dão lugar à uma mata densa povoada por riquíssimas fauna e flora. A paisagem fica muito mais parecida com a mata atlantica brasileira e sobram cachoeiras, vultosos rios, passáros exóticos e, claro, bananeiras! É por estas razões que é também nesta região que se encontram as unicas comunidades afro-bolivianas do país. Os escravos, após serem trazidos da Africa para trabalhar nas minas – em escala bem menor que no Brasil já que na Bolivia não faltou indio para escravizar -, ao serem libertos migraram para as regiões mais quentes e parecidas com o continente que não tinham condições de reencontrar.

Tocaña é uma destas comunidades e foi o destino que escolhemos conhecer em nossa rápida passada pela região. Fomos, então, à cooperativa de guias da cidade, que se encontra na praça central, para nos informarmos melhor sobre os detalhes para a visita. Alí um guia – bastante mal educado, diga-se de passagem – já nos jogou de cara o preço da aventura: 300 bolivianos para no maximo 4 pessoas, com tudo incluso(?), é claro…

Achamos ruim e certos de nossa capacidade e experiencia após 20 dias na Bolivia, compramos o mapa mal desenhado da região vendido pelos guias por Bs 3 e decidimos que, no dia seguinte logo cedo, ninguém nos impediria de chegar a Tocaña com nossas próprias pernas. 

A noite foi bem agradável. Jantamos sopa e revuelto de carne por Bs 10 e fomos à  praça central checar a concentração gringa no local. Um grupo integrado majoritáriamente por extranjeiros tocava musica boliviana divinamente. Pedimos uma paceña no armazem do Seu Portugal – senhor surdo e super-amigável que não parava de afirmar que não bebia, nem fumava ao mesmo tempo que batia orgulhosamente em sua barriga gabando-se de não estar borracho após às 8 garrafas de paceñas que bebera =S – e logo fomos dormir. 

O dia seguinte amanheceu completamente enevoado e despertou certa duvida em nossas mentes: será que não seria melhor voltar para La Paz de uma vez e comprar os ultimos presentes que ainda faltavam? Definitivamente não! Não teríamos ido até ali para nada e provaríamos à estes guias mercenários que pessoas comuns, se fossem audazes e espertas o bastante, poderiam chegar a Tocaña sem desembolsar somas exorbitantes. Voltamos, então, ao armazém do Seu Portugal para perguntar como chegaríamos. Não convencidos da explicação vaga, voltamos à cooperativa dos guias e perguntamos como chegaríamos à comunidade a pé e sem guia. O cara, meio de má fé, deu uma explicada por cima e là fomos nós, em meio a neblina, descer as ladeiras escorregadias que nos levariam à cultura negra boliviana.

Amanhecer e inicio da Aventura em Coroico

As descidas eram realmente ingrimes e, já na primeira meia hora, tínhamos certeza que não subiríamos de volta por alí. Voltaríamos pelo asfalto com uma vanzinha, pois sabíamos que estas não nos custariam mais de Bs 5. Durante a caminhada, tentávamos nos distrair com os pássaros, seus cantos e ninhos já que as maravilhosas vistas montanhosas nos eram privadas pela nevoa que não disperçava.

Ninhos do Simbolo da Cidade

Após cerca de 1h30 descendo, o caminho acabou! Sem mais, nem menos, não deu em lugar nenhum! Já meio ansiosos, voltamos e achamos umas trilhazinhas menores que continuavam descendo. Nessa hora, a gente só queria chegar no asfalto que aparecia longe là em baixo. Não sabíamos direito como mas o negócio era continuar descendo, certo? Mais us 20 minutos descendo e a trilinha virou lama. “Tinha outra saída mais pra cima. (Rafa) Então vamo! (Eu)” Entramos por esse novo pequeno caminho que, literalmente, se enfiava no mato e, para nosso alivio, chegamos numa casinha muito simples. Na verdade, a casinha, não passava de um barraco no meio do mato. Uma nenem nos recepcionou e chamou sua mãe. Explicamos que estávamos perdidos e a mãe, de pronto – como é sempre de se esperar do povo boliviano -, propôs que seu filho nos levasse a boca da trilha certa.

O menino, rapidinho, nos levou, pela mata, à trilha. Agradecemos um monte e seguimos caminho, imaginando como devia ser o cotidiano daquela familia ao mesmo tempo perto dos “beneficios do turismo” e tão isolada do conforto material que nos parece normal.

A trilha era bem menor, capim alto mas a vista, pela primeira vez, despontou. Erramos mais algumas entradas mas nada demais. Logo chegamos – orgulhosos, suados e felizes da vida – no asfalto e voltamos com o Vicente – motorista negro da van – para Coroico! 

Trilha Final

Rafaela triunfante!

É isso ai, raça! Essa foi nossa ultima peripécia na Bolivia. Pouco depois, voltamos para La Paz para pegar nosso avião no dia seguinte. Mas não desanimem, nos proximos dias vêm mais textos sobre o que deixamos para tráz!

Forte abraço a tod@s!

Jonathan & Rafa

Volviii!

Bueno, podem acreditar, apesar dos nenhuns posts no blog, eu e a Rafa tb estamos na Bolivia.

Já justificando, nossa falta se deu por 3 motivos:

a) priorizamos passear e, as vezes, dormir mesmo ao inves de parar numa Lan House;

b) nao trouxemos o cabinho da maquina que descarrega as fotos nos PCs!! Isso é muitooooo frustranteee, vcs naum tem idéia…

c) a preguica entre nós, em certas ocasioes, dita as regras…

Mas vamos ao que interessa, pois a tarefa é grande!

A Saída do Brasil – ou quem disse que sao os bolivianos que sao sujos? :

Nao quero chover no molhado, todos já devem estar cansados de ler posts sobre o começo da viagem. Há, no entanto, um detalhe intrigante no começo da minha viagem.

A barraca que estamos usando é do nosso querido Fernando (Ferdi para os intimos) e foi a ultima coisa que peguei antes viajar. Marcamos no MASP pelas 15h e là fomos nós – eu, Jou (minha irma) e minha mae – para a Paulista. Acontece que estávamos morrendo de fome e decidimos comer uma saudosa feijoada antes de minha partida na avenida mais pomposa de Sao Paulo. Paramos num barzinho – nao acredito que esqueci o nome do lugar! Merecia uma denuncia para a vigilancia sanitária… – e mandamos ver: feijao, banana à milanesa, farofa, couve e… bisteca mal passada. Minha mae, que nao é boba nem nada, logo pediu para dar mais uma passadinha na chapa. O cara levou, trouxe de volta na maior cara de pau do mesmo jeitinho!

Bode pós-churras

Bom, resultado: minha mae nem aguentou me dar tchau direito na rodoviária de vontade de vomitar e dor de barriga! No dia seguinte, liguei e ela estava de cama com febre. Fiquei tao preocupado que, na hora, senti meu estomago embrulhar. Nao titubeei e tomei um Plasil. Remédio eficiente. Esqueci da história e só fui lembrar depois do grandioso churrasco de seu Rogerio (pai da anninha).

Ali pegou. Vômito, Chuveirao, febre e tudo mais. Mas nada que nossos milagrosos primeiros socorros nao resolvam! Comprei um antibiótico para o intestino, mandei Plasil e Repoflor. Se me lembro bem, em Santa Cruz já estava bem.

Pois é minha gente, confirmo: a caganeira boliviana continua um mito para mim mas a paulistana é bem real!

A chegada na Bolivia – Impressoes:

Uma viagem dessas cria inumeras expectativas e duvidas. Quanto mais, uma viagem até a BOLIVIA! Lemos todo dia o que aqui se passa com grande admiraçao, curiosidade e inveja!

A maior expectativa é, com certeza, conseguir apreender minimamente a realidade do país que se está visitando desde a perspectiva do povo que ali vive – em contraposiçao à imagem esterelizada das agências de viagens. A duvida mais profunda é se estaremos à altura desse desafio: conseguiremos romper nossas limitaçoes individuais para ir ao encontro do outro, do duvidoso, do desconhecido.

Desde o inicio, percebemos coletivamente essa limitaçao. Aproximar-se dos bolivianos, para nós, principalmente no começo da viagem, sempre estava rodeado de timidez, apreensao, ejaculaçoes precoces e frustraçoes. Foi aos poucos que isso foi mudando. Tenho minhas duvidas se foi realmente nós que mudamos ou se o lugar foi ficando mais acolhedor. Com toda certeza, a elitisada Santa Cruz nao tem a mesma receptividade de Cochabamba ou La Paz.

Encuentros - Mairana

Queríamos conhecer a realidade do país. Pois bem: logo de primeira Santa Cruz falava por si só. Nao precisou ninguém vir nos explicar o que ali se passava. Um país em ebuliçao tem essa caracteristica: as entranhas vêm à luz, ficam mais expostas. E nao é diferente com a Bolivia. O olhar disposto e minimamente informado capta esse movimento. O fato de chegarmos a Bolivia no periodo imediatamente posterior às eleiçoes presidenciais – momento em que se elegeram tambem senadores e deputados, além de decidir sobre as autonomias regionais – ajudou a explicitar ainda mais as acirradas disputas politicas latentes no país.

Sabíamos muito pouco de Santa Cruz de la Sierra antes de passar por ali. Viajar por um lugar é, definitivamente, uma das formas mais instigantes de se estudar um assunto. Logo quisemos ir mais a fundo sobre a elite da meia lua da qual apenas lembrávamos os acontecimentos ligados ao separatismo orquestrado pelo embaixador americano.

Descobrimos, entao, que o que está em jogo para a elite cruzeña é – como era de se esperar – a manutençao dos privilegios que historicamente este setor deu usurpou da naçao. O departamento de Santa Cruz tenta, atualmente, desesperadamente seguir aprofundando um modelo de desenvolvimento que já se mostrou retrógrado e excludente: o latifundio produtor de soja.

Para agravar a situaçao, os fazendeiros cruzeños compensaram sua falta crônica de competitividade em relaçao à soja brasileira, argentina ou estadunidense, sugando subvençoes do Estado boliviano – no qual estavam estratégicamente posicionados. Esta situaçao mudou radicalmente com a nova conjuntura boliviana, a subida de Evo ao poder – impulsionado por vigorosissímos movimentos indigenas e socias – e a reforma radical do Estado nacional.

Acho que paramos por aí e temos muito ainda a aprender!

O mais importante é que, na Bolivia, nao tem paternalismo e, portanto, a politizaçao da populaçao é impressionante. Em diversas ocasioes tivemos exposiçoes francas e precisas sobre os avanços ou retrocessos do governo de Evo. Pessoas que, à primeira vista, nao teríamos consultado, nos deram verdadeiras aulas.

O debate parece ser mesmo pratica comum na Bolivia. Na praça central de Cochabamba, por exemplo, os circulos de debates sao varios, com dezenas de participantes – jovens, idosos, mulheres e por aí vai. As organizaçoes sociais fomentam a pratica montando bancas nos lugares publicos com os mais diversos materiais e expondo jornais com as ultimas noticias. Alias, esta é uma pratica comum bastante impressionante: as bancas de jornais nao só vendem jornais, como os expoe em pequenas grades laterais para leitura. Por isso, as bancas estao sempre cheias e os bolivianos, com isso, seguem de perto os rumos de seu país.

Banca de Jornal em La Paz

É isso aí, gente querida!

Tenho muito o que contar ainda mas vamos começar assim!

Um forte abraço a todos e até o proximo.


Eu sou o Jonathan da Velha Geração!!

“E ai galeeeraaa! Meu nome é Jonathan, faço Serviço Social e sou Coordenador da Arte & Cultura do DCEeeee…”

Tá, brincadeira! É o costume…

Para fazer jus às palavras do nosso querido Césinha – “somos muito mais que nossos cursos e numeros de matricula” – vou tentar começar do começo.

Era uma vez, uma baiana rétada – Elzemere – que se embestou de ir trabalhar em Paris. Pois, naum é que em meio às suas peripécias, encontrou um boyzinho até que charmoso – Didier – que veio a ser o painho de seu primeiro filho: Jonathan Henri Sebastião Jaumont ou Jojo para os intimos. Ta aí como surge o autêntico franco-baiano, essa mescla maravilhosa de biquinho com axé – que inclusive deu origem ao inesquecivel brilho de “A Fuga da Galinhas”!

Ok, isso tudo pra dizer que sou, de origem, o mais gringo dessa trip (olha que os colonos não ficam longe)! Assim mesmo, tenho certeza, nossa latino-americanidade está no projeto que abraçamos para os povos de nosso continente e, nesse sentido, está claro: viva abya yala libre!

Abya Yala Jakaskiwa

Nesses 24 anos, essa é minha primeira mochilada por nuestra america. Isso continua a me impressionar, já que oportinidades e inspiração (valeu Juju!) não faltaram e já viajei por muitos outros países: França, Hollanda, EUA, Sri Lanka… É talvez por isso que esteja tão animado e, mesmo tendo um pouquinho de experiência, tudo pareça tão novo!

Voltando a viagem, nossa dupla conta com um desafio a mais: temos 24 dias para conhecer a bolivia e chegar inteiros, lindos e cheirosos, em Jales, para o baile de formatura do primo do cunhado da tia-avó da Rafa (familia do interior é sempre assim? eu ainda to perdido ;D).

Dupla de Lucha!

Aliás, desculpem, eu nem apresentei a nossa dupla!! Essa dupla é um grande amor em ebulição – “tá indo pras nuvéns, sô!” – e completará um ano de história durante essa viagem! É composta de minha pessoa e minha compañera criolla – termo que em nosso passado colonial denominava os mestiços entre europeus e nativos – Rafaela Samartino Herran. Prazer!!

Nosso roteiro continua aberto – como o das 2 outras duplas bolivianas (e bolivarianas!) – mas o cotidiano popular parece nos chamar com mais clamor. Não ficarei nem um pouco desapontado se perder o bonde do salar de uyuni para seiar com alguns hermanos em suas casas, para conhecer como, realmente, existe o ayllu ou para entender como se organizam os cocalleros. Mas o que me dá mais gosto é saber que esta seria a reação de todos nesse grupo!

Gente, infelizmente, ainda não tenho maquina fotografica para mostrar meus preparativos, minha mochila – que é, definitivamente, mais bonita que a do Pira – e minhas leituras mas prometo que, nos proximos dias, descolo algum brother para fazer meu book pré-bolivia!

Acho que era isso, povo!

Tenho mesmo que ir pois minha irmã (Juju) me convoca – a razão apenas o Didi conhece…

Um grande beijo do Jojo que virou Jonxo nesse Blog por falta de opção. Assim mesmo, quero deixar registrado que este apelido foi por muito tempo o terror das LAN Houses! huahuahuha