Ultimas Peripécias Bolivianas

Povo,

para uma parte dos Trotaméricas a viagem chegou ao fim.

Eu e a Rafa pegamos um avião de La Paz à Puerto Suarez no dia 19/01 para chegar a tempo para a formatura do Rodrigo (primo da Rafa) em Araçatuba que está se formando em Direito. Por ser afilhado da mãe da Rafa, o compromisso era inadiável. Deixamos, então, a Bolivia para trás e viajamos de volta à Ja(h)les, mas não sem antes passar rapidinho por Coroico e conhecer uma parte diferente desse país – relato logo abaixo!

A intensidade da viagem terminou (snif!) mas a tranquilidade do interior paulista nos traz a oportunidade de refletir sobre tudo o que aconteceu e relatar aquilo que a correria não permitiu. Portanto, novos posts virão com aventuras atrasadas, pensamentos anotados e guardados e impressões ainda frescas em nossas cabecinhas.

Caderninho de Anotações

Entonces, vamos logo à Coroico.

O Ecoturismo, a Neblina e o Morro:

O Ecoturismo está na moda! Não é por menos. Qualquer alma sã, na correria cotidiana, almeja um lugar tranquilo com paisagens deslumbrantes e desertas, caminhadas emocionantes e quem sabe algo mais radical para os mais “arrojados”. As agências, obviamente, não perderam tempo e pipocam por toda parte com o pacote dos seus sonhos. 

A Bolivia não ficou de fora e são inúmeros os passeios “com tudo incluso” que se encontram por là. Coroico é um desses eco-destinos. Reúne todas as atribuições para tanto: à apenas 2h30 de La Paz, a aventura já começa na estrada, uma das mais ingrimes do mundo – a estrada da morte desce 1.350m em cerca de 60km! – , que pode oferecer uma das vistas mais alucinantes da viagem, garantem os guias. Digo “os guias” porque a gente não deu sorte: a neblina cobria as lindas montanhas e a chuva rolou pelo trajeto quase todo. A emoção, no nosso caso, veio do motorista que mesmo em meio à densa nevoa arriscava as tradicionais ultrapassagens “made in Bolivia”. No entanto, nada impediu a Rafa de dormir o tempo inteiro.

Nevoa Coroicoicana

Mas fiquem tranquilos, a estrada não é a única atração: a região de Coroico é bem diferente do altiplano paceño. Por estar bem mais baixa, as encostas rochosas dão lugar à uma mata densa povoada por riquíssimas fauna e flora. A paisagem fica muito mais parecida com a mata atlantica brasileira e sobram cachoeiras, vultosos rios, passáros exóticos e, claro, bananeiras! É por estas razões que é também nesta região que se encontram as unicas comunidades afro-bolivianas do país. Os escravos, após serem trazidos da Africa para trabalhar nas minas – em escala bem menor que no Brasil já que na Bolivia não faltou indio para escravizar -, ao serem libertos migraram para as regiões mais quentes e parecidas com o continente que não tinham condições de reencontrar.

Tocaña é uma destas comunidades e foi o destino que escolhemos conhecer em nossa rápida passada pela região. Fomos, então, à cooperativa de guias da cidade, que se encontra na praça central, para nos informarmos melhor sobre os detalhes para a visita. Alí um guia – bastante mal educado, diga-se de passagem – já nos jogou de cara o preço da aventura: 300 bolivianos para no maximo 4 pessoas, com tudo incluso(?), é claro…

Achamos ruim e certos de nossa capacidade e experiencia após 20 dias na Bolivia, compramos o mapa mal desenhado da região vendido pelos guias por Bs 3 e decidimos que, no dia seguinte logo cedo, ninguém nos impediria de chegar a Tocaña com nossas próprias pernas. 

A noite foi bem agradável. Jantamos sopa e revuelto de carne por Bs 10 e fomos à  praça central checar a concentração gringa no local. Um grupo integrado majoritáriamente por extranjeiros tocava musica boliviana divinamente. Pedimos uma paceña no armazem do Seu Portugal – senhor surdo e super-amigável que não parava de afirmar que não bebia, nem fumava ao mesmo tempo que batia orgulhosamente em sua barriga gabando-se de não estar borracho após às 8 garrafas de paceñas que bebera =S – e logo fomos dormir. 

O dia seguinte amanheceu completamente enevoado e despertou certa duvida em nossas mentes: será que não seria melhor voltar para La Paz de uma vez e comprar os ultimos presentes que ainda faltavam? Definitivamente não! Não teríamos ido até ali para nada e provaríamos à estes guias mercenários que pessoas comuns, se fossem audazes e espertas o bastante, poderiam chegar a Tocaña sem desembolsar somas exorbitantes. Voltamos, então, ao armazém do Seu Portugal para perguntar como chegaríamos. Não convencidos da explicação vaga, voltamos à cooperativa dos guias e perguntamos como chegaríamos à comunidade a pé e sem guia. O cara, meio de má fé, deu uma explicada por cima e là fomos nós, em meio a neblina, descer as ladeiras escorregadias que nos levariam à cultura negra boliviana.

Amanhecer e inicio da Aventura em Coroico

As descidas eram realmente ingrimes e, já na primeira meia hora, tínhamos certeza que não subiríamos de volta por alí. Voltaríamos pelo asfalto com uma vanzinha, pois sabíamos que estas não nos custariam mais de Bs 5. Durante a caminhada, tentávamos nos distrair com os pássaros, seus cantos e ninhos já que as maravilhosas vistas montanhosas nos eram privadas pela nevoa que não disperçava.

Ninhos do Simbolo da Cidade

Após cerca de 1h30 descendo, o caminho acabou! Sem mais, nem menos, não deu em lugar nenhum! Já meio ansiosos, voltamos e achamos umas trilhazinhas menores que continuavam descendo. Nessa hora, a gente só queria chegar no asfalto que aparecia longe là em baixo. Não sabíamos direito como mas o negócio era continuar descendo, certo? Mais us 20 minutos descendo e a trilinha virou lama. “Tinha outra saída mais pra cima. (Rafa) Então vamo! (Eu)” Entramos por esse novo pequeno caminho que, literalmente, se enfiava no mato e, para nosso alivio, chegamos numa casinha muito simples. Na verdade, a casinha, não passava de um barraco no meio do mato. Uma nenem nos recepcionou e chamou sua mãe. Explicamos que estávamos perdidos e a mãe, de pronto – como é sempre de se esperar do povo boliviano -, propôs que seu filho nos levasse a boca da trilha certa.

O menino, rapidinho, nos levou, pela mata, à trilha. Agradecemos um monte e seguimos caminho, imaginando como devia ser o cotidiano daquela familia ao mesmo tempo perto dos “beneficios do turismo” e tão isolada do conforto material que nos parece normal.

A trilha era bem menor, capim alto mas a vista, pela primeira vez, despontou. Erramos mais algumas entradas mas nada demais. Logo chegamos – orgulhosos, suados e felizes da vida – no asfalto e voltamos com o Vicente – motorista negro da van – para Coroico! 

Trilha Final

Rafaela triunfante!

É isso ai, raça! Essa foi nossa ultima peripécia na Bolivia. Pouco depois, voltamos para La Paz para pegar nosso avião no dia seguinte. Mas não desanimem, nos proximos dias vêm mais textos sobre o que deixamos para tráz!

Forte abraço a tod@s!

Jonathan & Rafa

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2 pensamentos sobre “Ultimas Peripécias Bolivianas

  1. quer dizer que os afro bolivianos tambem sao um mito? hahaha
    massa, queria saber o que vcs fizeram mesmo! escrevam mais!!
    estamos em potosi rumo a cerro rico ahora, vivos e bem 😉
    beijos dupla!

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