Caganeira boliviana! um mito?

Vocês já podem imaginar sobre o quê é esse post: a comida na Bolívia! O título faz jus às delícias (e bagaças) que encontramos no caminho e como nós – troteiros brasileiros e ufsquianos – estamos lidando com os temperos e higiene peculiar desse apaixonante país.

feira na rua em La Paz

Vale ressaltar que o nosso baixo orçamento só nos permite comermos nos lugares mais simples. Iguarias como carne de lhama sao um pouco mais caros (nao tanto assim) mas que ainda nao tivemos a proeza y la plata de provar.

Entao vamos começar pelo básico. Pollo.

o super heroi do povao!

Se você nao come frango entao provavelmente passará dificuldades no território boliviano. Praticamente todas as refeiçoes sao compostas por pollo: pollo dorado, pollo a milanesa, pollo broaster.

Um prato básico, num restaurante simples, é composto por uma sopa de entrada, um segundo prato e às vezes uma sobremesa ou um mate de coca.

A sopa pode ser de amendoim (mani), yuca (mandioca), arroz, macarrao (fidel), etc. Esse segundo prato geralmente vem nas opçoes: pollo à milanesa, carne (de vaca) à milanesa, bife com ovo (tipo à cavalo) ou pollo dorado. De sobremesa, só tivemos a experiencia de ganhar umas gelatinas quentes e estranhas aqui em La Paz.

nossa primeira impressao da culinária boliviana no trem da morte

último dia em Mairana, mudando o cardápio pra lentilha com carne e batatas

 

E os temperos?

Pimenta (ají) – Acompanhando os pratos, há sempre na mesa um potinho com molho de pimenta. Essa pimenta é muito saborosa, tem um cheiro (na minha percepçao) de grama ou qualquer mato, é muito colorida e forte! Nao tem como comprar pronta porque eles fazem na hora e nao sei quantos mil ingredientes vao ali dentro. Só sei que vale a pena provar.

Cabelos – Sim, cabelos! Você os encontra em todos os tipos de refeiçoes, desde queijos de feiras, pastéis de rua, até no meio dos pollos, chás e tudo o mais que você puser na boca. Todos sao cabelos grossos e negros, cabelos de Chola! Afinal, sao elas a base da economia informal na Bolivia (vide post da Cholanninha: https://trotamerica.wordpress.com/2010/01/08/quem-sao-as-cholas/) e aparentemente sao elas o “faz-tudo” por onde passamos.

Minha primeira experiência com um cabelo boliviano foi em Samaipata, ao comer um negócio que parecia uma tapioca frita com queijo. Eu peguei aquele fio negro com vontade achando que era um fio delicioso de queijo derretido quando, ao som de “tlec!”, parti o fio ao meio com os dentes e foi entao que caiu a ficha.

Como a maioria da produçao de alimentos vem da regiao norte de La Paz, é possível encontrar refeiçoes mais baratas no altiplano se comparado à regiao oriental (Santa Cruz e fronteira).

cozinhando a janta no quarto em Sta. Cruz de La Sierra, como opçao mais barata

... e fazendo um ovinho mexido pro café-da-manha. "Viu como eu sei cozinhar, mae??"

Em Santa Cruz de La Sierra um almoço nos custava cerca de 12 bolivianos (uns 3 reais e pouco). Em Samaipata, almoçamos e jantamos por 11 bolivianos em uma pousada. Em Mairana, nossa refeiçao saiu 9 bolivianos (e a mais deliciosa ate entao!! Pollo dorado, macarrao, arroz e papas fritas). Em Cochabamba, eu e Éder sentamos num lugar sem perguntar o preço e pagamos 13 e 15 bolivianos respectivamente. Mas tudo bem, a fome era grande e a comida estava deliciosa.

Jojo saboreando um prato de arroz, batata, pollo e macarrao recheado com ovo (caminho entre Mairana e Cochabamba)

meu prato de 13 bs em Cochabamba

prato do Éder de 15 bs em Cochabamba

Agora em La Paz, achamos um lugar onde o almoço custa 6 bolivianos e a janta 4 bolivianos. O mesmo lugar das gelatinas extraterrenas.

o dito cujo

mas a cara era boa... (e o gosto também!)

muito boa!

Comemos por uns 3 dias seguidos lá até nosso estomago e intestino disserem “chega!”. Entao, no sábado (09/01) resolvemos mudar um pouco o cardápio e nos demos ao luxo de sentarmos num restaurante italiano e comermos spaghettis. Pra mim foi um prato dos deuses, um spaghetti à bolonhesa naquele momento foi a melhor coisa que poderia me acontecer! Se eu cheirasse ou degustasse qualquer pollo ou papas fritas mais uma vez, eles seriam evacuados por cima ou por baixo instantaneamente.

Maaas, isso acabou acontecendo com quatro membros da nossa trupe: Anninha, Jojo, Rafa e Éder. Eles finalmente provaram da caganeira (Anninha, Rafa e Éder, o gorfo) boliviana e foi instantaneamente após o nosso almoço italiano. Por isso que a culpa já pode ser retirada do restaurante mamma mia, já que uma digestao demora no mínimo algumas horas para ser concluída.

Anninha maaal só à base dos crackers

Todos cremos que foi culpa do nosso desayuno. Trouxemos um queijo branco de feira e uma supervitamina que a Chola colocou tudo o que tinha na vida dentro (leite, amendoim, manjericao, hortela, abacaxi, morango, mamao, banana, etc.).

Por incrível que pareça, a vitamina estava muito saborosa e foi a unica coisa que consegui ingerir. Já o queijo… além de cabelos de Chola, estava amarelado e azedinho. A galera conseguiu por pra dentro com a juda do paozinho também trazido da feira.

Pau-de-santo foi fundamental pra manter o ar do quarto respirável

E entao, de noitezinha, a caganeira me pegou também! Má oeee.

Nao sei do que foi, mas foi uma vezinha pra eu ficar bem de novo. Nao fiz parte da maratona cagosa que rolou no albergue no domingo (10/01) entre a Anninha e Rafa porque estava no lago Chiarkota subindo uma montanha a 5.200 metros de altura 🙂

curtindo la naturaleza boliviana enquanto los otros curtiam uma caganera boliviana

Besos (y nao quesos) a todos!

Bett.

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9 pensamentos sobre “Caganeira boliviana! um mito?

  1. Eu tive na Bolívia em Julho/09. Curti a comida deles, o que foi uma surpresa pra mim. Claro que nossos estomagos não estão acostumados a tanto curry e pollo mas né, faz parte.

    Não deixem de visitar os museus de La Paz, em especial o maior, na praça principal (esqueci o nome) além do prédio ser muito bonito as obras do catálogo são muito interessantes. Alias, os livros no próprio museu são ridiculamente baratos. ;~

    Se o orçamento permitir comprem roupas e lembranças da bolívia, a gente se arrepende depois quando não trás. hehehe

    Um abraço a todos e uma boa viagem.

    Luciano Annes Nunes
    Design IF-SC

    • Culinaria é o forte deles sim, infelizmente como em qualquer lugar no mundo, existem botecos e infelizmente voces procuraram os piores; sinto muito mais, tive oportunidade de frequentar lugares maravilhosos, simples e com comida boa e de qualidade, da proxima vez, se houver proxima vez, se abram a experiencia e ao viajar, conversem com as pessoas locais, que lhe indicaram os melhores lugares.

  2. A caganeira aconteceu então… não era um mito, afinal…
    Bettina, seu compendio sobre a culinária boliviana é muiitíssiiiiimo explicativo!!! Chama atenção particularmente, dentre os temperos, o cabelito das cholas… deve dar um sabor especial, hã?? para cabelos oleosos, secos, normais…ahahahahahaha!!!
    Com caganeira ou não, com ou sem cabelo, os pratos são visualmente apetitivos (são 11h da manhã, a fome ajuda a ver tudo saboroso…), coloridos e … fartos!! De repente a caganeira é um preventivo pra não sairem daí rolando… hêhê…
    Adoro seus relatos bem humorados!
    bjs na trupe
    Realice

  3. Oi filha!! só hoje que tive tempo de ler e ver todas as fotos que voce tirou.
    Adorei seus relatos… .. e as fotos tbm.. Mas tem que ter coragem ou muita fome prá comer aí, ainda mais com cabelo de cholas!!
    Aliás, tem que ter mais coragem prá fazer esta viagem de trem e aind apor cima prá Bolivia!! Nada como um B 747 de first class e se hospedar num 5
    estrelas em Paris!!!
    ai ai ai que saudades!!!!
    beijão a todos!!

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