Volviii!

Bueno, podem acreditar, apesar dos nenhuns posts no blog, eu e a Rafa tb estamos na Bolivia.

Já justificando, nossa falta se deu por 3 motivos:

a) priorizamos passear e, as vezes, dormir mesmo ao inves de parar numa Lan House;

b) nao trouxemos o cabinho da maquina que descarrega as fotos nos PCs!! Isso é muitooooo frustranteee, vcs naum tem idéia…

c) a preguica entre nós, em certas ocasioes, dita as regras…

Mas vamos ao que interessa, pois a tarefa é grande!

A Saída do Brasil – ou quem disse que sao os bolivianos que sao sujos? :

Nao quero chover no molhado, todos já devem estar cansados de ler posts sobre o começo da viagem. Há, no entanto, um detalhe intrigante no começo da minha viagem.

A barraca que estamos usando é do nosso querido Fernando (Ferdi para os intimos) e foi a ultima coisa que peguei antes viajar. Marcamos no MASP pelas 15h e là fomos nós – eu, Jou (minha irma) e minha mae – para a Paulista. Acontece que estávamos morrendo de fome e decidimos comer uma saudosa feijoada antes de minha partida na avenida mais pomposa de Sao Paulo. Paramos num barzinho – nao acredito que esqueci o nome do lugar! Merecia uma denuncia para a vigilancia sanitária… – e mandamos ver: feijao, banana à milanesa, farofa, couve e… bisteca mal passada. Minha mae, que nao é boba nem nada, logo pediu para dar mais uma passadinha na chapa. O cara levou, trouxe de volta na maior cara de pau do mesmo jeitinho!

Bode pós-churras

Bom, resultado: minha mae nem aguentou me dar tchau direito na rodoviária de vontade de vomitar e dor de barriga! No dia seguinte, liguei e ela estava de cama com febre. Fiquei tao preocupado que, na hora, senti meu estomago embrulhar. Nao titubeei e tomei um Plasil. Remédio eficiente. Esqueci da história e só fui lembrar depois do grandioso churrasco de seu Rogerio (pai da anninha).

Ali pegou. Vômito, Chuveirao, febre e tudo mais. Mas nada que nossos milagrosos primeiros socorros nao resolvam! Comprei um antibiótico para o intestino, mandei Plasil e Repoflor. Se me lembro bem, em Santa Cruz já estava bem.

Pois é minha gente, confirmo: a caganeira boliviana continua um mito para mim mas a paulistana é bem real!

A chegada na Bolivia – Impressoes:

Uma viagem dessas cria inumeras expectativas e duvidas. Quanto mais, uma viagem até a BOLIVIA! Lemos todo dia o que aqui se passa com grande admiraçao, curiosidade e inveja!

A maior expectativa é, com certeza, conseguir apreender minimamente a realidade do país que se está visitando desde a perspectiva do povo que ali vive – em contraposiçao à imagem esterelizada das agências de viagens. A duvida mais profunda é se estaremos à altura desse desafio: conseguiremos romper nossas limitaçoes individuais para ir ao encontro do outro, do duvidoso, do desconhecido.

Desde o inicio, percebemos coletivamente essa limitaçao. Aproximar-se dos bolivianos, para nós, principalmente no começo da viagem, sempre estava rodeado de timidez, apreensao, ejaculaçoes precoces e frustraçoes. Foi aos poucos que isso foi mudando. Tenho minhas duvidas se foi realmente nós que mudamos ou se o lugar foi ficando mais acolhedor. Com toda certeza, a elitisada Santa Cruz nao tem a mesma receptividade de Cochabamba ou La Paz.

Encuentros - Mairana

Queríamos conhecer a realidade do país. Pois bem: logo de primeira Santa Cruz falava por si só. Nao precisou ninguém vir nos explicar o que ali se passava. Um país em ebuliçao tem essa caracteristica: as entranhas vêm à luz, ficam mais expostas. E nao é diferente com a Bolivia. O olhar disposto e minimamente informado capta esse movimento. O fato de chegarmos a Bolivia no periodo imediatamente posterior às eleiçoes presidenciais – momento em que se elegeram tambem senadores e deputados, além de decidir sobre as autonomias regionais – ajudou a explicitar ainda mais as acirradas disputas politicas latentes no país.

Sabíamos muito pouco de Santa Cruz de la Sierra antes de passar por ali. Viajar por um lugar é, definitivamente, uma das formas mais instigantes de se estudar um assunto. Logo quisemos ir mais a fundo sobre a elite da meia lua da qual apenas lembrávamos os acontecimentos ligados ao separatismo orquestrado pelo embaixador americano.

Descobrimos, entao, que o que está em jogo para a elite cruzeña é – como era de se esperar – a manutençao dos privilegios que historicamente este setor deu usurpou da naçao. O departamento de Santa Cruz tenta, atualmente, desesperadamente seguir aprofundando um modelo de desenvolvimento que já se mostrou retrógrado e excludente: o latifundio produtor de soja.

Para agravar a situaçao, os fazendeiros cruzeños compensaram sua falta crônica de competitividade em relaçao à soja brasileira, argentina ou estadunidense, sugando subvençoes do Estado boliviano – no qual estavam estratégicamente posicionados. Esta situaçao mudou radicalmente com a nova conjuntura boliviana, a subida de Evo ao poder – impulsionado por vigorosissímos movimentos indigenas e socias – e a reforma radical do Estado nacional.

Acho que paramos por aí e temos muito ainda a aprender!

O mais importante é que, na Bolivia, nao tem paternalismo e, portanto, a politizaçao da populaçao é impressionante. Em diversas ocasioes tivemos exposiçoes francas e precisas sobre os avanços ou retrocessos do governo de Evo. Pessoas que, à primeira vista, nao teríamos consultado, nos deram verdadeiras aulas.

O debate parece ser mesmo pratica comum na Bolivia. Na praça central de Cochabamba, por exemplo, os circulos de debates sao varios, com dezenas de participantes – jovens, idosos, mulheres e por aí vai. As organizaçoes sociais fomentam a pratica montando bancas nos lugares publicos com os mais diversos materiais e expondo jornais com as ultimas noticias. Alias, esta é uma pratica comum bastante impressionante: as bancas de jornais nao só vendem jornais, como os expoe em pequenas grades laterais para leitura. Por isso, as bancas estao sempre cheias e os bolivianos, com isso, seguem de perto os rumos de seu país.

Banca de Jornal em La Paz

É isso aí, gente querida!

Tenho muito o que contar ainda mas vamos começar assim!

Um forte abraço a todos e até o proximo.


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