Ano novo em Samaipata.

Hola! ¿Que tal?

(ainda estamos em La Paz, após uma noite de frio. Segue o relato do dia 31/12/09, quando ainda estavamos em Santa Cruz de la Sierra.)

Acordamos e resolvemos fazer uma reprise da cozinha com espiriteira. A Bette queria uns ovos fritos e mandou ver os quatro ovos restantes na espiriteira. O azeite salva nossa cozinha nessa hora. Vale a pena trazer um pouquinho mais de peso para ter um azeite.

Depois do café a galera ficou se arrumando enquanto eu e o Pira fomos fazer umas compras. Agente ia comprar coisas para se mandar para alguma outra cidade, algo mais natureza que desse para acampar.

No mercado pegamos alguns pães, atúm, batatas, água e uma bebida chamada Singane. Na hora de passar nos caixas vi uma caixinha diferente que parecia chiclete. Peguei a tal caixinha e fui reparar que era na verdade camisinhas. Resolvi comprar uma para levar de recordação da Bolívia, mas eram muitas opções e fiquei escolhendo. Nem li e peguei uma prateada. Ao passar no caixa a menina do caixa deu uma risadinha de canto. Na volta mostrei a caixa de camisinhas aos trotaméricas. Começaram a tirar o sarro: era um pacote de gel lubrificante. Tava explicado o porque da risada da mina do caixa. Eu e o Pira no mercado e um compra lubrificantes, kkkkkkkk, ela deve ter pensado: “son maricones”. Que merda, é foda ser burro.

Depois resolvi passar em uma loja de caça e pesca e achei pilhas recarregáveis muito mais barato que Floripa e São Paulo. Sem pilhas não adianta ter lanterna. A loja deles é um bom ponto para quem precisa se equipar a um bom preço. Assim, é possível chegar até Santa Cruz só com a roupa do corpo e comprar tudo por ali por um bom preço.

Depois voltamos ao albergue e fomos para uma lan house para fazer uma busca de lugares para ir. Seguindo o conselho do Achilles fiz a proposta de irmos para Samaipata. Decidimos ir para Samaipata e fizemos o check-out no albergue.

Pegamos um taxi e fomos os seis com nossos seis mochilões em um mesmo taxi. Parecia uma lata de sardinha. Andar de carro na Bolívia é uma emoção, a galera tira fina, os carros são caindo os pedaços. O taxista nos comentou sobre como o preço do gás é barato e para terem uma noção 10 pesos ou 3 reais e uns quebrados dá para encher um botijão para andar por 4 horas sem parar.  O taxista soltou a seguinte frase para nós quando perguntamos sobre o trânsito na Bolívia: “- Para conduzir tiene que ser loco” e o Jo  já completou: “- E ter carteira de habilitación”. O Taxista chamava Jhony e nos deixou em um lugar onde poderíamos pegar um microbus para Samaipata.

Chegamos lá e compramos as últimas passagens. Aqui você não pode marcar bobeira, sempre compre passagens o mais rápido possível. Depois de comprarmos conversamos com a menina que nos vendeu os bilhetes e perguntamos o mais importante: onde ela almoçava. Almoçar onde um trabalhador almoça geralmente é uma boa opção e, ainda mais importante, barata.

Ela nos indicou um lugar e fomos até lá. Chegamos tarde e náo tinha mais almoço. Demos uma volta pela redondeza e achamos um galpão bar que vendia almoço.  Lá também tinha uma TV em formato de fliperama e esta tocava umas músicas bolivianas. Também era possível jogar uma sinuca nas várias mesas do bar galpão. Pedimos um almoço completo com sopa, cervejas e uma jarra de suco de limão. A sopa era ótima e sempre é bom comer a sopa, porque sem ela você acaba sentindo fome mais tarde (se preparem para o post da Bettina sobre a culinária boliviana).

Depois do almoço fui até uma lan house com a Bette e depois voltamos para embarcar no microbus. O microbus é realmente apertado e ainda conta com a mágica boliviana. Ao invés de corredores existem cadeiras reclináveis e é possivel ter corredor e cadeiras, fazendo com que o microbus fique ainda mais lotado. As mochilas viajam em cima do microbus. É bom fechar bem sua mochila no caso de pegar chuva.

Caminho até Samaipata

Achar o lugar no microbus também é complicado, é tudo uma bagunça e tudo funciona a maneira Boliviana. Achamos nossos lugares e microbus começou a andar. Sentei ao lado de um Senhor boliviano que não tinha cara de Boliviano. O tiozão começou a conversar um monte e conversamos um pouco sobre o politica. Logo depois perguntei o nome dele e ele falou: “Max”. O Sr. Max é um boliviano contra o governo de Evo e comentou sobre alguns pontos de vistas extremistas e um pouco sobre o preconceito existente em Santa Cruz. Devido algumas brigas internas, descendentes de índios ganham menos que um descendente de brancos.

Microbus para samaipata.

O caminho até Samaipata é de uma beleza gigante. Aqui é o começo da cordilheira e todo o caminho do microbus é feito durante a subida. Aos poucos é possível perceber o efeito da altitude.

A estrada segue o padrão boliviano e existe água cruzando-a em alguns pontos. A região de Santa Cruz é bem religiosa e estrada é cheia de cruzes que indica que acidentes fatais aconteceram ali.  Não é uma cruz ou outra, é um grupo de cruzes em um mesmo lugar.

A vista na altitude conta com uma das cenas que acho mais belas, as nuves abaixo tocando as montanhas e esse tipo de cena é constante durante a subida.

O caminho também abriga uma enorme quantidade de casas bonitas que são chamadas cabanas, mas de cabanas não tem nada devido ao luxo.

Chegamos em Samaipata e já era noite. Levei a bagagem do Sr. Max até o hotel que ele tinha reservado para ele, a esposa e filha. O hotel dele estava cheio de gente e não consegui nem ir no banheiro. O foda de andar pela Bolívia é que você tem que ter um controle gigante sobre a vontade de mijar ou cagar. Também é possível se virar de alguma maneira genial em alguns onibus ou trens.

Depois de levar as coisas do Sr. Max ele nos levou para um albergue muito bom. Negociamos um bom preço pela nossa estadia. Conhecemos o Marcelo e a Estela, donos do albergue que ficamos. Ambos foram muito gente boa conosco.

Uma das frases do Sr. Max é uma que usavam durante o passado na construção de Samaipata: “Viva el Comunismo, Carajo!”.

Nosso quarto no albergue era realmente muito bom e tudo naquele albergue era ótimo. Sem contar que foi uma noite linda de lua quase cheia. Ou seja, era possível ficar sentado em algum canto da quadra do albergue admirando a lua.

Depois resolvemos ir para a praça para beber o tal Cingane. Haviam muitas crianças se divertindo com fogos e em todo lugar que iamos tinha alguma explosão de fogos de artifício. A galera boliviana se reuniu na praça e haviam vários carros mandando ver no som.

Depois de tomarmos o Singane fomos comprar um novo. O Pira chegou fazendo graça para os donos e pediu um novo sócio. Expliquei para a dona que o sócio era a bebida e o dono da loja foi nos atender. O pira pediu o álcool mais barato e o vendedor apontou para álcool de cozinha e soltou a frase: “Se bebes muerres y cagas fuego!”. A gargalhada foi geral. Compramos um outro cingane e fomos andar sem rumo por Samaipata.

Era zero horas do primeiro dia do anos. Vários fogos, felizes ano novo e abraços entre os trotaméricas.

Não estavamos tanto sem rumo, pois estavamos buscando um tal de Che Wilson e depois de andarmos e voltarmos um pedaços achamos o tal Che Wilson. Che Wilson era um lugar de música infestado de pirralhos, acabamos não entrando e ficamos na porta. Depois de um tempo reencontramos o Sr. Max e voltamos para a praça.

Na praça conheci a dona da Agência de bebida, ela se chamava Olga. Também conheci a filha dela, a Karen. Eu e o Sr. Max ficamos bebendo e conversando com a dona da agência e depois se juntaram uns outros bolivianos agricultores na conversa.

Depois de várias cervejas resolvi ir para casa. Atravessei a praça, achei o caminho do albergue. Entrei e fui direto para a cama.

Foi assim que passamos o ano novo em Samaipata!

grande abraço a todos!

me fue!

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