Engorda gaúcha

Filho de gaúchos e descendente de italianos que sou, carrego em minhas células adiposas ambas tradições culinárias. A primeira, principalmente pelo churrasco (o verdadeiro, não o de paulista ), e a segunda pela polenta, salame, queijo, vinho, saladas temperadas com muito vinagre (aargh!) e, obviamente, almoços com tooooda família no fim do ano.

Como manda a tradição e meu pai, fui passar o Natal na casa do nono e da nona em União da Serra, uma minúscula cidade escondida no meio da serra gaúcha. Desta vez, porém, “baixei” o espírito viajante, tentando prestar atenção naquilo que nos parece corriqueiro na convivência familiar e nos ambientes em que fomos criados . Como resultado, além de boas fotos e alguns quilos, passei bons momentos com tios e primos.

Paulista, churrasco. Muito prazer!

Paulista, churrasco. Muito prazer!

almoço em família

almoço no porão.

fuscão 69 do nono

fuscão 69 do nono

Nono Tarcísio, o mais velho.

Priminho Henrique, o mais novo.

  Interessante é que a região da serra gaúcha e o interior do sul do país em geral apresenta características muito particulares, tão “naturais” para que nasceu nelas, mas totalmente diferentes do restante do país. Essas características fariam do sul uma região “mais desenvolvida” do que outras do Brasil? Vamos aos fatos, hehe.

 Os  europeus não vieram para o sul do Brasil da mesma forma que os negros para o nordeste, mas tampouco vieram da mesma forma que seus conterrâneos trazidos como força de trabalho para as plantações de café do Sudeste.

 Os branquelos do sul saíram do velho mundo com a tarefa de colonizar esta região. Ao contrário da aculturação imposta aos negros e aos italianos do sudeste, os europeu “daqui” puderam manter sua forma de vida e desenvolver uma economia baseada na subsistência da família e nas pequenas trocas do excedente da produção agrícola. Aos poucos, começaram a manufaurar seus produos e vendê-los ao mercado. É aqui que nasce o mito do sul país como uma espécie de colônia de povoamento, repetindo a evolução econômica estadunidense e que seria responsável pela maior prosperidade da região.

 Se é certo que algumas dessas iniciativas prosperaram, a partir do momento que em que esses núcleos de povoamento europeu passam a ser assimilados pela estrutura econômica brasileira – monopolista e extrangeira – vão perdendo suas particularidades e sua capacidade de desenvolvimento próprio, integrando-se de forma subordinada aos interesses econômicos dominantes.

 Exemplos claros deste processo são a produção de leite e de carnes, em que grandes empresas do setor vendem os insumos, estipulam as condições e definem o preço do produto final pago ao pequeno agricultor.  O resultado são regiões economicamente dependentes, onde se comprimem o nível de vida de suas populações  e onde a saída daquelas empresas, seja por falência, seja pela transferência a uma região mais atrativa economicamente, ampliaria enormemente a pobreza. Acham que o sul é maravilhoso? Comparem o IDH do oeste catarinense e dos pampas gaúchos com o de certas regiões do nordeste e não verão grandes disparidades.

 O que quero dizer com tudo isso? Que o dilema do índio no altiplano peruano é o mesmo do alemão batata em Itapiranga e do italiano polenteiro em União da Serra!

 Voltando à Terra…

 Anteotem, dia 26, vim pra Porto Alegre descansar na casa da irmã da minhã mãe antes da viagem. Além de muito rango e muitos vinhos, visitei com meu irmão e minha mãe o Museu Iberê Camargo. Projetado pelo arquiteto modernista português Álvaro Siza, o edifício em frente ao Guaíba guarda obras do artista plástico gaúcho que dá nome ao museu. Além das exposições, o edifício é uma obra de arte e valeria, por si só, a visita. Mais informações em http://www.iberecamargo.org.br

 

 

Proibido chimarrão!

Após o café, fomos pegar o pôr-do-sol no rio Guaíba. Altos visu 😛 !

Pôr-do-sol no rio Guaíba

  Viu como viagem em família não é tão ruim assim?!

 Hoje, 22h20, vôo de Porto Alegre a Guarulhos. Um ronquinho nos bancos do aeroporto e dia 29, às 8h00, Guarulhos – Rio Branco!

 Besos,

Dió

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3 pensamentos sobre “Engorda gaúcha

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