Da metrópole do extremo-oeste catarinense: Dió!

“Tchau, tchau, tchau, eu vou viajar! Tchau, tchau, tchau, logo logo eu vou voltar!” Vovó Mafalda

Minha vez!

Já que o objetivo deste primeiro post é, além de mostrar os preparativos da viagem, apresentar o mochileiro, deixo aí em cima a comparação entre a criança feliz de macacão amarelo de 20 anos atrás com o meninão barbudo de hoje! Notaram a semelhança?

Como o “grupo de um homem só” deste diário de bordo coletivo, encontro-me na preparação para a minha quarta viagem pela América Latina. Esta será, porém, um pouco diferente das outras (por isso que o frio na barriga e as noites de sono agitado têm sido uma constante). Em primeiro lugar, porque serão dois meses na estrada, em comparação com os 30 dias em Cuba e na Bolívia. Em segundo lugar, porque viajarei sozinho. Terei de tomar minhas decisões e meus únicos companheiros para apoiá-las serão meu id e meu superego. Espero que o primeiro vença e o que segundo não me deixe morrer de fome no meio da amazônia peruana!

Mas embarco nesta viagem com o mesmo objetivo das outras: conhecer a história e a vida dos povos latinoamericanos, para tentar entender o porquê de sua situação atual e como constróem, hoje, seu futuro. Dizia o velho – e genial, e gostoso, e foda! – Darcy Ribeiro que a realidade não está em texto algum, mas na vida e na história. Só compreendendo o processo de formação das sociedades latinoamericanas é que poderemos entender os desafios que se lhes apresentam hoje e os conflitos que atravessam essas nações. O esforço é necessário para que se superem as visões que caracterizam as sociedades latinoamericas e, particularmente, as andinas, como povos atrasados na história da humanidade, impregnados de valores arcaicos que os impedem de avançar rumo a uma sociedade industrial e moderna. Tais argumentações, que servem somente como doutrinação ideológica para fazer-nos resignados com a pobreza do continente, passam por alto que o debut da América Latina no sistema mundial se deu através de sua participação compulsória como fornecedora de riquezas para o desenvolvimento europeu, primeiramente, e estadunidenses, mais recentemente. E que esse papel se cumpriu às custas da destruição de diversas civilizações culturalmente desenvolvidas, extermínio de milhões de indígenas e negros e transfiguração cultural generalizada, com o apoio declarado das elites brancas e mestiças da região. O desenvolvimento dos países centrais e o subdesenvolvimento dos nossos países são faces da mesma moeda

Se eu fosse um europeu ou estadunidense – e tenho todas as características físicas para passar por um italiano polenteiro – não me importaria com todo esse “blá blá blá” exposto acima. Sou, porém, brasileiro e latinoamericano (sim, o Brasil faz parte da América Latina), e basta uma olhada superficial para descobrir que compartilhamos o mesmo passado – ainda que com diferenças significativas – e os mesmos problemas no presente. O objetivo de conhecer o continente não é, portanto, atividade de erudição ou descoberta do exótico, mas de buscar as respostas para os nossos dilemas a partir da experiência dos nossos povos hermanos e, assim, nos descobrirmos como latinoamericanos também!

“Tá bom, ô Che Guevara do Oeste, mas e as paisagens, a cultura, a comida? Ou vai dizer que não vai tomar um trago, curtir com os(as) porteños(as), conhecer uns picos irados, etc.?”

É óbvio que não vou deixar de ver e fazer tudo isso! Mas o que acontece na América Latina hoje não ocorre em lugar nenhum do mundo! O mais bonito de se ver hoje não são as paisagens deslumbrantes, mas o povo de cada lugar tomando consciência de que é hora de construir seus países para si mesmos, de que é hora de passar a guiar seu próprio destino! A cordilheira, os lagos, os desertos de sal são os cenários privilegiados onde essa história acontece. Mais importantes são os atores, que carregam com a esperança uma beleza simples e apaixonante (op cit)! Viajar e não conhecer a história e a luta das gentes da Patria Grande seria, mais que tudo, um desperdício de tempo e grana.

Caralho, tá quase um artigo isso aqui. Vamos ao roteiro:

União da Serra (RS) – não é o começo oficial da viagem, mas vou pra casa do meu nono e minha nona na Serra Gaúcha passar o Natal, tomar vinho, comer polenta, salame e queijo.

Rio Branco (AC) – início da viagem. Uma semana com o poeta Cesinha conhecendo entidades comunitárias, seringais, botecos e a vida cultural acreana. Pato no tucupi, tucunaré assado, paca, açaí por R$1 e milhões de frutas amazônicas estão incluídos na visita!

Peru – um no mês país governado por Alan García, um presidente conservador com a popularidade baixíssima. Em manifestações recentes de comunidades indígenas amazônicas, mandou “descer a lenha” geral. Movimento indígena pegando fogo! Cuzco, Machu Picchu e Lima confirmados.  Tenho que descobrir como chegar à amazônia peruana. Ah, obviamente, ceviche e pisco sour!

Bolívia – uma semaninha para rever as paisagens maravilhosas do Lago Titicaca, da Ilha do Sol (tudo começou, há um tempo atrás…) e loucura e contradição de La Paz e El Alto. Se pá, pego a nova posse del compañero Evo Morales.

Norte argentino – 15 dias, até o carnaval – que dizem ser iradiu!! – por Salta, Jujuy, Tucumán y alrededores. Contato com a galera do Proyecto Sur

São Miguel do Oeste (SC) – metrópole catarinense conhecida pela sua instigante vida cultural. Destacam-se os restaurantes de padrão internacional, cinemas e o Teatro Municipal, que já recebeu astros como “Os Nativos”, Gaúcho da Fronteira e Xirú Missioneiro. No inverno, esta bela cidade recebe atores e diretores de cinema de todo o mundo para o conhecido Festival Internacional de Cinema Migueloestino, considerado hoje pela crítica especializada como a prévia do Festival de Cannes.

Tá quase, raça!!! Vamo ae, mano!!!

Bjos,

Dió “sangue nos zóio!”

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6 pensamentos sobre “Da metrópole do extremo-oeste catarinense: Dió!

  1. O Dió tinha que escrever um texto político! hehe… Ta massa…

    Cara morrendo de inveja de vocês desejo boa viagem a todos e adorei a idéia do Blog, vou acompanhar os posts.

    Abraços, beijos e boas festas.

  2. pqp é a cara do véio mesmo!!!

    porra, achei q tu ia começar uma análise de conjuntura no Blog, rsrs… (brincadera, fico afudê… )

    Bah, Xirú Missioneiro é o ápice de qualquer vida cultural, ahuahuahua

    o melhor de td é qdo o cara conheçe bastante lugares mas tem sempre orgulho da sua terra…

    Abraço, meu “quase-conterrâneo”!!!

  3. hahahaha esqueci de dizer onde estamos: em Montevideo. Ja comemos a parrella no porto, me fartei mas mto boa. espero noticias. bjocas

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