Me perdi!!! Mas to bem!

Fala Galera!!!

Viemos para Machu Picchu. Fizemos o caminho econômico, ou seja, saímos de Cusco e fomos em direção a Santa Maria, aconteceram um deslizamentos e demoramos um pouco mais que o previsto para chegar no destino final. Durante a recuperação do deslizamento era possível ver uma galera descendo de Bike curtindo a chuva dos Andes. Chuva que não pára.

Chegamos em Santa Maria e pagamos uma van taxi para a Hidroelétrica que existe depois de Santa Teresa. Fomos num aperto de lascar dentro do taxi van. Eu e a Bette subimos em cima da van e fomos no teto. Ir em cima da Van foi o melhor negócio. Conhecemos também um argentino muito gente boa de algum pueblito da argentina.

Começamos a subida pelo trilho do trem (modo econômico). Subindo pelo trilho conheci uma Paraguaia e umas chilenas. Na subida o Pira e Anninha, muito apressados, deram uma corrida e continuei conversando com las chicas.

Me perdi da Bette depois que perdi a garrafa de água e voltei correndo para pegar. Foi a última vez que te vi Bette. Esse caminho inclue passar por umas pontes sobre uns rios com as correntezas mais fortes que já vi.

A noite foi caindo e foi ficando as luzes das lanternas e as conversas da galera. Passamos por uma estação e entramos em um túnel que sempre chove e a galera gritou geral. Depois passamos por mais um túnel e novos gritos. Gritos de novo quando avistamos uma luz, porém era de uma quadra e ainda restava mais súbida.

Chegamos (eu e las chicas) aqui em Águas Calientes e não avistei nem o Pira, nem Anna, nem Bette. Achei o Argentino e perguntei dos meus amigos e nada. Depois fui para o lugar mais óbvio da cidade, a Plaza de Armas. Fiquei com las chicas esperando uma outra amiga delas que estava perdida também. Galera! Acabei com aquele atum que vinha trazendo de São Paulo. Fizemos um rango coletivo em plena Praça. Depois apareceu a Luli, a amiga perdida delas e ela tinha conversado com meus amigos perdidos. Rolaram inúmeras piadas e apareceu um espanhol junta com a Luli. Rimos por várias horas, para ser exato 4 horas! Elas me comentaram que vocês talvez iriam meia noite para Machu Picchu. Não me mexi para evitar um desencontro esperando que alguém ficaria em um canto enquanto dois me procurariam. O espanhol foi para o hostel e ficamos pela praça. Deixei minha mochila no hostel do espanhol.

Estava sem dinheiro nenhum e tentei trocar em vão uns dolares. Chegou meia noite e resolvi ir embora para Machu Picchu com a galera. Fizemos a subida para Machu Picchu a meia noite com chuva e durante a noite. No caminho encontramos um cachorro que nos seguiu até a entrada de Machu Picchu. Risos garantidos, piadas, teatros incas e muita diversão regada pelo espanhol da galera muito gente boa que me adotou.

Pronto! Chegamos! Eramos os primeiros!!! Existem 400 subidas disponíveis para Wayna Picchu e a nossa estava garantida. Só tinha um problema: cadê minha “plata”? cadê meu dinheiro??? Como arrumamos notas graudas em Cuzco, paguei umas contas para a galera e não tinha grana na carteira para pagar a entrada para Machu Picchu. Conversei com a Lore (uma das las chicas) e ela me emprestou 100 soles e lhe dei uns dolares para ela ficar despreocupada. Afinal, nunca me viu na vida. Resolvi dar um “cheque calção”. Carimbei no número 000007 para subida para Wayna Picchu!!! U-huuuuuuuuuu!!! Comprei meu ingresso com meu cartão de estudante e um comprovante. 63 soles (1 dolar = 2.75 soles no cambio de Águas Calientes).

Gritamos várias vezes Pira… Pira Maricon… e muito mais no espanhol dos chilenos e do argentino. Não achei vocês e entrei em Machu Picchu!!! Fizemos a subida para Waina Picchu. Ai Pedro da Punta Cana… você não tem noção!!! achei uns brothers seus e gravamos um recado pra vc! Sempre estamos achando brasileiros por aqui.

Bom pelo jeito foi a última vez que nos vimos galera! Como não achei vocês de muito ficar parado e depois de muito procurar me juntei com a Galera do Chile e Paraguay e to indo para mais alguns lugares!

Uma ótima viagem ai para vocês!!! Não se preocupem comigo, a galera que achei é muito gente boa! Quanto a minha grana das pendengas, convertam ai do jeito que acharem melhor e depois agente acerta isso. Se pá agente se encontra em algum lugar da Bolivia!

grande abraço a todos!

Leitores, desculpe não ter fotos. Não tenho câmera digital!!!

SAUDAÇOES URUGUAYAS!

Finalmente os Trotaméricas do Sul fazem contato!

Carol, Pedro e Victor. Três criaturinhas cheias de curiosidades e sedentas por desbravar as terras uruguaias e argentinas.

No momento estamos em Montevideo. Chegamos aqui no sábado pela manha e pudemos, nesses 4 dias de viagem, aproveitar boa parte do que la ciudad tem a nos oferecer. Nossa viagem perpassa pelas paragens mais urbanas, pelas paisagens cheias de contraiçoes típicas das cidades latino-americanas, pelos nuances do cotidiano vivido pelos habitantes locais, pelas cores, cheiros, comida… Enfim, todas essas novas sensaçoes que temos quando saímos de nossas horas e rotinas habituais para nos confrontarmos com o novo. O resultado desse movimento tem sido fantástico.

Vamos ao Uruguai. O Uruguai é um país pequenininho, 45 vezes menor que o Brasil. Sua geografia social é muito interessante: quase nao há habitantes no interior. A maior parte da populacao está concentrada mais ao sul, ou seja, pertinho do mar. Montevideo é expressao disso: concentra nos seus limites um pouco mais da metade de sua populaçao uruguaia. É um país marcado politicamente pelas disputas internas entre ruralista latifundiários do interior, “colorados” sociais-democratas liberais das cidades e a esquerda organizada da Frente Única que atualmente elegeu o presidente Mujica. Segundo se diz, a Frente Única tem sofrido um processo muito parecido com o do PT no Brasil e tem frustrado muitas das expectativas dos uruguaios.

Passeando pelas pequenas cidades do interior e pelos bairros mais pobres é possível ver muitos painéis eleitorais do Mujica (Fotógrafos fodoes deste blog perdoem-me. Tenho apenas uma cyber-shot e um olhar leigo sobre a fotografia).

Painéis eleitorais do Mujica numa cidadezinha de interior.

Aliás passear pelo Uruguai é uma aula de história. Em Montevideo é possível reconhecer a grande herança européia. Ás vezes dá a sensaçao de que se está andando nas ruas da Europa do século XIX. Há prédios suntuosos, estátuas gigantes, monumentos, parques, avenidas gigantes. Nao precisa nem ter pisado na Europa para sentir os ares do Velhos Mundo por aqui.

Caminhando pelas calles de Montevideo

La Ciudad Vieja - barrio de Montevideo

Arquitetura comum na paisagem uruguya.

No Parque Rodó

Além da arquitetura tradicional, Montevideo tem muitas casinhas charmosas, painéis coloridos e composiçoes urbanóides que fazem muito bem aos olhos hehehe.

"Libreria"

Na feirinha da Ciudad Vieja

As intervençoes urbanas também sao constantes. Esta cidade fala pelas paredes!

Basta de Repression a los Trabajadores

Na Residência Universitária

Bom, por enquanto deixo esse gostinho de Montavideo. Temos muito ainda o que descrever e postar, porém daqui a pouco nosso onibus para Colonia del Sacramiento está saindo e yo preciso ir!

Trotaméricas do mundo: Uni-vos!

Beijao!

Carolzita

Design Vernacular 3 – Isla del Sol

Olá! Mais do design popular boliviano, desde la Isla del Sol!

"O Condor Andino vencerá a Águia Imperialista"

Clique na galeria abaixo para ver as imagens:

Resumo Fotográfico – El Alto, Copacabana e Isla del Sol

Saudacoes, mi pueblo! Gostaria de pedir desculpas aos leitores pelos  dias de abandono do blog, mas ficamos totalmente ilhados do mundo internético enquanto acampavamos no Norte da Isla del Sol, a beira do lago Titicaca, na Bolívia.  Antes estavamos com atualizacoes constantes porque paramos muito tempo em la paz, por razoes de saude e caganeira.

5 dias de caganeira paceña. Estavamos loucos pra sair fora!

  • El Alto

Saindo de La Paz – sede do governo boliviano, mas nao a capital do pais, que é a esperada Sucre – passamos por El Alto, grande periferia da cidade, que se ergue nos morros até o altiplano. A geografia desse lugar é realmente impressionante! La Paz é um buraco geográfico, e os bairros mais afastados estao no altiplano, que está abaixo dos grandes montes nevados.

El Alto e a Cordilheira Real, ao fundo

Mirada superficial sobre o pueblo de el alto, infelizmente nao conseguimos passar um tempo por lá

Chola viajando, como nao poderia faltar..

  • Copacabana

Chegamos em Copacabana, pequena cidadela no Titicaca, que é o ponto de passagem para a Isla del Sol. A cidade nao tem muito o que fazer, possui um numero sem fim de mochileiros perdidos e um turismo um pouco superficial e gringo demais.  Apesar disso, acabamos dormindo por lá, existem alojamientos bem baratos.

Cartaz tipico do turismo "paisagens e lhamas" para gringo ver

pueblo de copacabana

Uma curiosidade interessante para os brasileiros é que o nome Copacabana foi descaradamente plagiado da Bolívia para a praia carioca, por razoes nao muito claras. Dizem que se parecem, mas nao me pareceu :)

Praia de pedras e gringos

Ah, sim! Aqui tivemos o primeiro contato com LA TRUCHA! As trutas foram importadas dos Estados Unidos e sao criadas no proprio Titicaca. A carne lembra muito a do salmao, e o preco agrada: pagamos 15 bolivianos no prato com arroz, salada e papas (batatas), algo como 4 reais!

Trucha al limon

Trucha para todos los gostos

  • Isla del Sol

Um lugar realmente mágico, com uma historia incrivel que o atribui como berco da civilizacao Inca, a ilha deixou todos muito a vontade e um tanto  isolados do resto do mundo. Ficamos acampados no norte, que é menos explorado turisticamente que a regiao sul.

La pudemos ver de perto a filosofia dos povos originarios (tidos como indigenas pelo homem branco) em relacao a terra cultivada. Aqui existe um sistema muito antigo, que vem de antes d0 imperio inca, que é sao os Ayllus. De forma resumida, é uma pratica de terras coletivas (propriedade privada só a moradia de cada familia) que sao compartilhadas por muitas familias, somente com pequenas propriedades de diferentes manejos para garantir a sobrevivencia de todos. As decisoes sobre o que sera plantado em cada terreno e em que epoca sao todas coletivas. Algo realmente impressionante de ver na pratica. Depois de 3 ou 4 anos cultivo, cada terreno descansa 8 anos para ser replantado novamente.

Os campesinos e povos originarios estao com o Evo Morales e nao se abrem. Pela primeira vez na historia da Bolivia os indigenas terao reconhecidas suas autonomias juridicas, economicas e culturais, o que, na pratica, garante que se organizem da forma milenar de terras comunitarias e com leis locais. Nas ultimas eleicoes Evo (ou Huevo, como diz a bettina) teve 62% dos votos com uma participacao efetiva de quase toda populacao, sendo o voto nao obrigatorio.

Uniao perfeita entre belezas naturais e contato com com os campesinos originarios bolivianos!

Roupas de trabalho

Camponesita

Barqueiro local que transporta turistas por 5 pesos. Alguns hoje vivem exclusivamente do turismo na ilha.

Muitos tambem vivem com pequenos alojamientos improvisados e servindo refeicoes. Essa é a Sandra Malandra, uma chola de 11 anos!

Lenha de eucalipto para el fuego. O gas na ilha chega com precos altos..

Nos primeiros dias pegamos alguns temporais com chuvas intensas, o que acabou amenizando o o frio de lá. Apesar disso, as noites realmente exigiram os sacos de dormir para temperaturas abaixo de zero graus. Tivemos que usar inclusive os cobertores de emergencia, que sao de plastico aluminizado e realmente uteis para essas situacoes.

lluvia en la carpa

Mas nada impediu a bett e o eder de entrar no lago cedinho.. friaca!

As deliciosas sopas, muy quentinhas

Subida ao segundo pico mais alto da ilha.. mais de 4 mil metros de altitude!

E.. a Lhama! Que adora cuspir em turistas curiosos.

A ilha foi realmente marcante, passei meu aniversário lá e foi muito divertido. Todas as noites rolam varias rodas de som, com direito a violao e djembes.  O sol é fabuloso e com muita energia, fazendo jus ao nome desse lugar.

A novidade aqui é que os Trotamericas da Bolivia se separam. Jony e Rafa voltam para La Paz para pegar seu aviao em 2 dias e Eu, Anninha, Bett e Eder seguimos viagem..

  • Cusco

Nosso próximo destino foi a cidade de Cusco, no Peru, após uma viagem longa de mais de 10h. Chegamos bem cedo e encontramos um alojamiento (dica do dió, que aqui estava há varios dias) muito legal, com varios latinoamericanos, mesa de sinuca, internet na faixa e um pessoal bem hospitaleiro com um preco bacana. (12 soles).

Pra variar, chuva também no Peru

Estamos ha dois dias nessa cidade, que era a capital do Império Inca, e passa muita historia pelas ruas, pessoas e mercados. Vamos amanha cedo rumo a Machu Picchu pelo esquema mais roots que existe, onde menos se paga. Se tudo der certo, depois de amanha as 7 da manha estaremos no topo!

Um grande abraco a todos,

Rafael ¨Pira¨ Vilela

Enfim… Naturaleza!

Uh! Uh! Uh! Que beleza! 
Uh! Uh! Uh! A natureza…

Laguna Chiarkota cerca de La Paz

yo y la laguna Chiarkota!

Despues de 5 dias em La Paz, no domingo (10/01) eu e Eder fomos fazer uma trilha hasta laguna Chiarkota (5.2000 de altitude). O restante nao foi por causa da caganeira, como mencionado no post anterior :P

Conheci o Freddy, residente de La Paz, atraves do CouchSurfing (www.couchsurfing.com). Pra quem nao sabe, CouchSurfing eh um site de viajantes onde voce oferece acomodacao ou apenas mostra a sua cidade para os estrangeiros, e vice-versa. No meu caso, escrevi pra diversas pessoas de La Paz para ver se alguem topava nos mostrar a cidade e dar dicas legais e, como sempre, alguns respondem e outros nao. Freddy prontamente se dispos a nos conhecer e na quinta a noite saimos para um bar e na noite seguinte fomos numa “boate” local com outros membros do CouchSurfing (colombianos, neo-zelandesa e argentino). Dancar musicas bolivianas e assistir a uma banda local ao vivo foi bem legal :)

Entonces no domingo organizamos uma ida com os CouchSurfers ate a Laguna Chiarkota, um lago a umas 2h de La Paz aos pes da Cordilheira Real. Fomos com uma van privada porque pra la nao existe transporte publico e fechamos um grupo de 8 (eu, Eder, uma alema, uma neo-zelandesa, uma america, um frances, um espanhol e Freddy), dando 50 bolivianos pra cada um. A van custa 400 bolivianos porque o cara fica la o dia inteiro esperando a gente voltar pra nos trazer de volta, entao quanto mais gente pra ratear o passeio, mais barato.

inicio da trilha

 O lugar eh simplesmente fantastico. Caminhamos cerca de uma hora e meia pra chegar ate a lagoa. No caminho passamos por uma parecida, soh que menor.

eu e a lagoinha, a lagoinha e eu

No caminho eh possivel ver as montanhas nevadas da Cordilheira Real e muitas lhamas!

lhama pomposa posando pra foto ou fingindo que nao era com ela

silhueta de lhama

Filetes de agua pura, cristalina e gelada cortam o nosso caminho o tempo todo.

apesar de congelante, impossivel resistir

Chegando na Laguna, decidimos subir o monte que fica ao lado da mesma. Ficamos na duvida a principio de subiriamos ou nao porque a altitude nos estava prejudicando bastante. A cada passada que davamos, parecia que estavam nos dando um soco no peito, era muito dificil de respirar. E quanto mais ingreme o caminho, mais complicado…

Pero nao somos de desistir e topamos a jornada.

enfrentando o frio e a altitude na subida do monte

Digo-lhes que foi uma das coisas mais dificeis que ja fiz na vida! A cada passada dava vontade de cair no chao e morrer, era simplesmente impossivel continuar subindo. Com muito orgulho, eu e Eder subimos ate a metade! Apesar do Eder ter ficado dormindo numa pedra um pouco mais embaixo enquanto eu lutei por mais alguns metros acima.

ainda viva

morta.

Goticulas de chuva vinham das nuvens do topo dos picos nevados e em um certo momento ela comecou a aumentar. Desci o caminho com o poncho numa boa e nos abrigamos la embaixo numa casinha que serve de refugio para os amigos do Freddy, que de vez em quando escalam os picos nevados logo a frente.

vista do lago, debaixo do meu poncho

CouchSurfers!

Retornamos a trilha mais lentamente por um caminho diferente (eu, Eder, a neo zelandesa e o Freddy) pra curtimos a natureza e o fim de tarde.

voltando do lago, esse aih eh o Eder

surpresas agradaveis ao longo da descida

e mais surpresa: uma cholinha aparece do nada atravessando o rio correndo pra ir de encontro ao nosso grupo

a cholinha, o menino e o cao param e observam o grupo ir embora...

Na reta final para a van, um arco-iris magnifico veio nos cumprimentar.

retornando pra van (um ponto branco no fundo da foto)

o arco-iris nos cumprimentando e a gente cumprimentando-o de volta

Se tiverem a oportunidade de visitar esse lugar maravilhoso um dia, haganlo!! Essa eh a minha deixa de hoje :)

Hasta luego pueblo.

Bett

Caganeira boliviana! um mito?

Vocês já podem imaginar sobre o quê é esse post: a comida na Bolívia! O título faz jus às delícias (e bagaças) que encontramos no caminho e como nós – troteiros brasileiros e ufsquianos – estamos lidando com os temperos e higiene peculiar desse apaixonante país.

feira na rua em La Paz

Vale ressaltar que o nosso baixo orçamento só nos permite comermos nos lugares mais simples. Iguarias como carne de lhama sao um pouco mais caros (nao tanto assim) mas que ainda nao tivemos a proeza y la plata de provar.

Entao vamos começar pelo básico. Pollo.

o super heroi do povao!

Se você nao come frango entao provavelmente passará dificuldades no território boliviano. Praticamente todas as refeiçoes sao compostas por pollo: pollo dorado, pollo a milanesa, pollo broaster.

Um prato básico, num restaurante simples, é composto por uma sopa de entrada, um segundo prato e às vezes uma sobremesa ou um mate de coca.

A sopa pode ser de amendoim (mani), yuca (mandioca), arroz, macarrao (fidel), etc. Esse segundo prato geralmente vem nas opçoes: pollo à milanesa, carne (de vaca) à milanesa, bife com ovo (tipo à cavalo) ou pollo dorado. De sobremesa, só tivemos a experiencia de ganhar umas gelatinas quentes e estranhas aqui em La Paz.

nossa primeira impressao da culinária boliviana no trem da morte

último dia em Mairana, mudando o cardápio pra lentilha com carne e batatas

 

E os temperos?

Pimenta (ají) – Acompanhando os pratos, há sempre na mesa um potinho com molho de pimenta. Essa pimenta é muito saborosa, tem um cheiro (na minha percepçao) de grama ou qualquer mato, é muito colorida e forte! Nao tem como comprar pronta porque eles fazem na hora e nao sei quantos mil ingredientes vao ali dentro. Só sei que vale a pena provar.

Cabelos - Sim, cabelos! Você os encontra em todos os tipos de refeiçoes, desde queijos de feiras, pastéis de rua, até no meio dos pollos, chás e tudo o mais que você puser na boca. Todos sao cabelos grossos e negros, cabelos de Chola! Afinal, sao elas a base da economia informal na Bolivia (vide post da Cholanninha: http://trotamerica.wordpress.com/2010/01/08/quem-sao-as-cholas/) e aparentemente sao elas o “faz-tudo” por onde passamos.

Minha primeira experiência com um cabelo boliviano foi em Samaipata, ao comer um negócio que parecia uma tapioca frita com queijo. Eu peguei aquele fio negro com vontade achando que era um fio delicioso de queijo derretido quando, ao som de “tlec!”, parti o fio ao meio com os dentes e foi entao que caiu a ficha.

Como a maioria da produçao de alimentos vem da regiao norte de La Paz, é possível encontrar refeiçoes mais baratas no altiplano se comparado à regiao oriental (Santa Cruz e fronteira).

cozinhando a janta no quarto em Sta. Cruz de La Sierra, como opçao mais barata

... e fazendo um ovinho mexido pro café-da-manha. "Viu como eu sei cozinhar, mae??"

Em Santa Cruz de La Sierra um almoço nos custava cerca de 12 bolivianos (uns 3 reais e pouco). Em Samaipata, almoçamos e jantamos por 11 bolivianos em uma pousada. Em Mairana, nossa refeiçao saiu 9 bolivianos (e a mais deliciosa ate entao!! Pollo dorado, macarrao, arroz e papas fritas). Em Cochabamba, eu e Éder sentamos num lugar sem perguntar o preço e pagamos 13 e 15 bolivianos respectivamente. Mas tudo bem, a fome era grande e a comida estava deliciosa.

Jojo saboreando um prato de arroz, batata, pollo e macarrao recheado com ovo (caminho entre Mairana e Cochabamba)

meu prato de 13 bs em Cochabamba

prato do Éder de 15 bs em Cochabamba

Agora em La Paz, achamos um lugar onde o almoço custa 6 bolivianos e a janta 4 bolivianos. O mesmo lugar das gelatinas extraterrenas.

o dito cujo

mas a cara era boa... (e o gosto também!)

muito boa!

Comemos por uns 3 dias seguidos lá até nosso estomago e intestino disserem “chega!”. Entao, no sábado (09/01) resolvemos mudar um pouco o cardápio e nos demos ao luxo de sentarmos num restaurante italiano e comermos spaghettis. Pra mim foi um prato dos deuses, um spaghetti à bolonhesa naquele momento foi a melhor coisa que poderia me acontecer! Se eu cheirasse ou degustasse qualquer pollo ou papas fritas mais uma vez, eles seriam evacuados por cima ou por baixo instantaneamente.

Maaas, isso acabou acontecendo com quatro membros da nossa trupe: Anninha, Jojo, Rafa e Éder. Eles finalmente provaram da caganeira (Anninha, Rafa e Éder, o gorfo) boliviana e foi instantaneamente após o nosso almoço italiano. Por isso que a culpa já pode ser retirada do restaurante mamma mia, já que uma digestao demora no mínimo algumas horas para ser concluída.

Anninha maaal só à base dos crackers

Todos cremos que foi culpa do nosso desayuno. Trouxemos um queijo branco de feira e uma supervitamina que a Chola colocou tudo o que tinha na vida dentro (leite, amendoim, manjericao, hortela, abacaxi, morango, mamao, banana, etc.).

Por incrível que pareça, a vitamina estava muito saborosa e foi a unica coisa que consegui ingerir. Já o queijo… além de cabelos de Chola, estava amarelado e azedinho. A galera conseguiu por pra dentro com a juda do paozinho também trazido da feira.

Pau-de-santo foi fundamental pra manter o ar do quarto respirável

E entao, de noitezinha, a caganeira me pegou também! Má oeee.

Nao sei do que foi, mas foi uma vezinha pra eu ficar bem de novo. Nao fiz parte da maratona cagosa que rolou no albergue no domingo (10/01) entre a Anninha e Rafa porque estava no lago Chiarkota subindo uma montanha a 5.200 metros de altura :)

curtindo la naturaleza boliviana enquanto los otros curtiam uma caganera boliviana

Besos (y nao quesos) a todos!

Bett.

Design Vernacular 2 # La Paz


Hola hermanos! Mais um post de referencias visuais, dessa vez somente da cidade de La Paz, que estamos estacionados há 6 dias (muito por culpa da caganeira que atacou, mais isso é assunto pra outro post)

Clique nas imagens abaixo pra entrar na galeria: 

La Paz – Valle de la Luna.

O Valle de la Luna é um cenário diferente de tudo o que já vi. O Valle se localiza a uns 10 km de La Paz. Você pode chegar lá pagando caro ou fazer como nós e ir até um ponto de ônibus local e pagar por um ônibus comum que faz o percurso em 40 minutos e te deixa na porta.

A entrada no Valle custa 15 pesos, ou bolivianos. Ao entrar, a primeira vista  é um lugar árido e sem vida. A erosão foi responsável pela confecção desta obra de arte. O solo é constituído de argila. Existe alguns canions e vale a pena ficar parado admirando essa paisagem diferente. Também é possível avistar várias montanhas ao redor.

Vista no Valle de la Luna.

Dentro do Valle é possível escolher um entre dois percursos. O maior leva em torno de 45 minutos e o menor leva quinze. Não esqueça de levar uma garrafa de água e protetor solar. O ambiente seco e o Sol aumentam a sede durante a caminhada.

Turistas no Valle de la Luna.

Formações rochosas.

Paisagens no Valle de la Luna.

Tivemos sorte e um artesão-músico resolveu subir em uma rocha para tocar um pouco para o público que estava dentro do Valle. Algumas músicas iam no embalo de um instrumento de corda acompanhado de voz e outras iam ao som de um instrumento de sopro chamado Quena.

Música ao vivo no Valle de la Luna.

Samaipata no primeiro dia do ano.

Aooooooooooo!!! Buenos!

(estamos todos bem aqui em La Paz e vou fazer o post do dia 01/01/10)

Amanhacemos no primeiro dia do ano em em Samaipata. No dia anterior não dava para ver a beleza que Samaipata possui. Acordei cedo e dei uma volta pelo albergue que estavamos. O albergue era muito bom, banheiros limpos e tinha uma quadra. Na quadra tinha até uma arquibancada e aproveitei para sentar lá e ficar admirando as montanhas que rodeiam Samaipata.

Fiz algumas filmagens da paisagem, mas ainda preciso editar o vídeo e aqui em lan house é uma tarefa meio impossível.

Durante as filmagens o Pira apareceu e ficamos conversando. Instantes depois o cachorro do albergue, o Falco, veio ficar com nós um pouco. Mais tarde a mulher basurera se juntou a conversa.

Pira e Falco

Bette adotando um gato

Um pouco mais tarde fui no banheiro e lá que tava o Pira e o Jhony cascando o bico. Eles estavam ouvindo um ronco vindo de um dos banheiros. Levantei algum deles e confirmaram que era um tiozão. Acho que o Tiozão ficou bebado e acabou tirando um cochilo enquanto cagava. E o cara não roncava pouco não, o cara roncava muito.

Nos reunimos e decidimos dar uma volta pela cidade e encontramos uma Brasileira que tinha uma loja de medicamentos natural em uma das ruas de Samaipata. É verdade, existem brasileiros em todos os cantos. Ela fez medicina e abriu um consultório, porém a aceitação local não foi muito boa e acabou achando uma solução em medicamentos naturais. A Cláudia, que nasceu no Espirito Santo, era muito simpática e nos ofereceu para acamparmos no terreno dela. Infelizmente, não dá para ir em batalhão acampar na casa de alguém e continuamos no albergue mesmo. Lá comprei um pacote de folhas de coca e ela nos deu um adoçante de brinde.

Gringos em Samaipata

Depois da volta almoçamos no Residencial Rosário e mais uma vez pegamos um prato completo. Devia ser bife e sopa, ou talvez frango a milanesa e sopa. Aqui é a coisa mais fácil de se achar: frango a milanesa.

Depois do almoço fomos para a praça para dar uma volta e ficamos olhando as coisas na feira que tinha nesta praça. Eram instrumentos músicais, pulseiras, flores, comida, incensos e mais um monte de coisas.

Voltamos para o albergue e aproveitamos para lavar as roupas no albergue, estava um bom dia de sol e ainda tinhamos uma boa area para estender as coisas.

Fizemos uma pausa para descansar e fiquei deitado ouvindo um pouco de música enquanto lia. A galera trouxe alguns livros sobre a Bolívia e eu trouxe um manual de sobrevivência que ensina um monte de coisas úteis para quem curte se perder no mato. Porém, não pense que isso é necessário na Bolívia. Aqui não é uma selva, aqui é um lugar bem massa e com muitos lugares desenvolvidos. Se você quiser se perder no mato nas alturas, aqui também é um bom lugar.

O livro tem um capítulo introdutório que tem umas frases interessantes:

“Sobreviventes de campos de concentração alemães referiam que a vida, mesmo em condições inumanas, valia a pena ser vivida.”

“O lema para sobrevivência é nunca desistir.”

Refleti por horas algumas das frases e lembrei de quando eu jogava a vida fora para viver um mundo onde esperava demais. Quando esperamos demais, tudo é chato. O lance é se contentar com o que temos a mão. Se o que estava vivendo estava uma bosta era por culpa minha.

Depois mais tarde resolvi esperimentar o tal adoçante antes de experimentar as folhas de coca. O adoçante era ruim demais. Parti para as folhas de coca. O gosto não era dos melhores, agora eu já to é curtindo o gosto. Eu e o Pira ficamos um pouco sem sono alguns dias e achamos que a culpada era a folha de coca.

Decidimos ir dar mais uma volta pela cidade e me perdi dos demais enquanto fui comprar água. Dei uma volta pela praça e achei o Sr. Max. Ele estava sentado com mais um casal de amigos e perguntei se era possível subir os morros dos arredores da cidade. Ele falou que sim. Sai em direção a uma rua qualquer e fui indo. Avistei uma subida e fui em direção a ela. Fazer uma subida a quase dois mil metros de altitude cansa um pouco mais que o normal e consumi uma garrafa inteira de dois litros. Fiz várias filmagens com a câmera apoiada sobre um tripé. A vista era incrível! Infelizmente, gravei um dvd e mandei por correio e formatei a máquina, ou seja, sem fotos da vista área de Samaipata. Quando eu chegar eu mostro os vídeo e fotos.

Rua do albergue em Samaipata

Voltando da subida encontrei a galera na rua do albergue e fomos comer umas comidas típicas.

Antes de dormir, liguei o rádio e fiquei ouvindo músicas bolivianas… “Voy a Santa Cruz…”, “Cambiar dolar…” e outras …

Foi isso!!!

grande abraço a todos.

Volviii!

Bueno, podem acreditar, apesar dos nenhuns posts no blog, eu e a Rafa tb estamos na Bolivia.

Já justificando, nossa falta se deu por 3 motivos:

a) priorizamos passear e, as vezes, dormir mesmo ao inves de parar numa Lan House;

b) nao trouxemos o cabinho da maquina que descarrega as fotos nos PCs!! Isso é muitooooo frustranteee, vcs naum tem idéia…

c) a preguica entre nós, em certas ocasioes, dita as regras…

Mas vamos ao que interessa, pois a tarefa é grande!

A Saída do Brasil – ou quem disse que sao os bolivianos que sao sujos? :

Nao quero chover no molhado, todos já devem estar cansados de ler posts sobre o começo da viagem. Há, no entanto, um detalhe intrigante no começo da minha viagem.

A barraca que estamos usando é do nosso querido Fernando (Ferdi para os intimos) e foi a ultima coisa que peguei antes viajar. Marcamos no MASP pelas 15h e là fomos nós – eu, Jou (minha irma) e minha mae – para a Paulista. Acontece que estávamos morrendo de fome e decidimos comer uma saudosa feijoada antes de minha partida na avenida mais pomposa de Sao Paulo. Paramos num barzinho – nao acredito que esqueci o nome do lugar! Merecia uma denuncia para a vigilancia sanitária… – e mandamos ver: feijao, banana à milanesa, farofa, couve e… bisteca mal passada. Minha mae, que nao é boba nem nada, logo pediu para dar mais uma passadinha na chapa. O cara levou, trouxe de volta na maior cara de pau do mesmo jeitinho!

Bode pós-churras

Bom, resultado: minha mae nem aguentou me dar tchau direito na rodoviária de vontade de vomitar e dor de barriga! No dia seguinte, liguei e ela estava de cama com febre. Fiquei tao preocupado que, na hora, senti meu estomago embrulhar. Nao titubeei e tomei um Plasil. Remédio eficiente. Esqueci da história e só fui lembrar depois do grandioso churrasco de seu Rogerio (pai da anninha).

Ali pegou. Vômito, Chuveirao, febre e tudo mais. Mas nada que nossos milagrosos primeiros socorros nao resolvam! Comprei um antibiótico para o intestino, mandei Plasil e Repoflor. Se me lembro bem, em Santa Cruz já estava bem.

Pois é minha gente, confirmo: a caganeira boliviana continua um mito para mim mas a paulistana é bem real!

A chegada na Bolivia – Impressoes:

Uma viagem dessas cria inumeras expectativas e duvidas. Quanto mais, uma viagem até a BOLIVIA! Lemos todo dia o que aqui se passa com grande admiraçao, curiosidade e inveja!

A maior expectativa é, com certeza, conseguir apreender minimamente a realidade do país que se está visitando desde a perspectiva do povo que ali vive – em contraposiçao à imagem esterelizada das agências de viagens. A duvida mais profunda é se estaremos à altura desse desafio: conseguiremos romper nossas limitaçoes individuais para ir ao encontro do outro, do duvidoso, do desconhecido.

Desde o inicio, percebemos coletivamente essa limitaçao. Aproximar-se dos bolivianos, para nós, principalmente no começo da viagem, sempre estava rodeado de timidez, apreensao, ejaculaçoes precoces e frustraçoes. Foi aos poucos que isso foi mudando. Tenho minhas duvidas se foi realmente nós que mudamos ou se o lugar foi ficando mais acolhedor. Com toda certeza, a elitisada Santa Cruz nao tem a mesma receptividade de Cochabamba ou La Paz.

Encuentros - Mairana

Queríamos conhecer a realidade do país. Pois bem: logo de primeira Santa Cruz falava por si só. Nao precisou ninguém vir nos explicar o que ali se passava. Um país em ebuliçao tem essa caracteristica: as entranhas vêm à luz, ficam mais expostas. E nao é diferente com a Bolivia. O olhar disposto e minimamente informado capta esse movimento. O fato de chegarmos a Bolivia no periodo imediatamente posterior às eleiçoes presidenciais – momento em que se elegeram tambem senadores e deputados, além de decidir sobre as autonomias regionais – ajudou a explicitar ainda mais as acirradas disputas politicas latentes no país.

Sabíamos muito pouco de Santa Cruz de la Sierra antes de passar por ali. Viajar por um lugar é, definitivamente, uma das formas mais instigantes de se estudar um assunto. Logo quisemos ir mais a fundo sobre a elite da meia lua da qual apenas lembrávamos os acontecimentos ligados ao separatismo orquestrado pelo embaixador americano.

Descobrimos, entao, que o que está em jogo para a elite cruzeña é – como era de se esperar – a manutençao dos privilegios que historicamente este setor deu usurpou da naçao. O departamento de Santa Cruz tenta, atualmente, desesperadamente seguir aprofundando um modelo de desenvolvimento que já se mostrou retrógrado e excludente: o latifundio produtor de soja.

Para agravar a situaçao, os fazendeiros cruzeños compensaram sua falta crônica de competitividade em relaçao à soja brasileira, argentina ou estadunidense, sugando subvençoes do Estado boliviano – no qual estavam estratégicamente posicionados. Esta situaçao mudou radicalmente com a nova conjuntura boliviana, a subida de Evo ao poder – impulsionado por vigorosissímos movimentos indigenas e socias – e a reforma radical do Estado nacional.

Acho que paramos por aí e temos muito ainda a aprender!

O mais importante é que, na Bolivia, nao tem paternalismo e, portanto, a politizaçao da populaçao é impressionante. Em diversas ocasioes tivemos exposiçoes francas e precisas sobre os avanços ou retrocessos do governo de Evo. Pessoas que, à primeira vista, nao teríamos consultado, nos deram verdadeiras aulas.

O debate parece ser mesmo pratica comum na Bolivia. Na praça central de Cochabamba, por exemplo, os circulos de debates sao varios, com dezenas de participantes – jovens, idosos, mulheres e por aí vai. As organizaçoes sociais fomentam a pratica montando bancas nos lugares publicos com os mais diversos materiais e expondo jornais com as ultimas noticias. Alias, esta é uma pratica comum bastante impressionante: as bancas de jornais nao só vendem jornais, como os expoe em pequenas grades laterais para leitura. Por isso, as bancas estao sempre cheias e os bolivianos, com isso, seguem de perto os rumos de seu país.

Banca de Jornal em La Paz

É isso aí, gente querida!

Tenho muito o que contar ainda mas vamos começar assim!

Um forte abraço a todos e até o proximo.