Trotamérica: exposição e o futuro

Aos acompanhantes do Trotamérica, duas novidades:

A primeira é que acabamos de abrir uma exposição com as fotos do role pela Bolívia, no hall da Reitoria da UFSC, em Floripa. Gostaria de convidar todos a passarem por lá e ver como tá tudo. Mais informações podem ser vistas no blog do DAC.

Família boliviana em viagem nos arredores de La Paz, uma das fotos da exposição

A segunda é que o trotamérica, que começou como uma brincadeira entre amigos, e acabou se tornando mais e mais sério ao longo da viagem (em muito por percebemos quão pouco sabemos da América Latina)  tá se transformando em um projeto cultural elaborado, visando a continuidade dessa primeira experiência. Em breve, se tudo der certo, teremos boas notícias para postar por aqui – além de garantir que esse espaço não ficará mais largado às moscas.

Aguardem!

Galeria: Nosotros!

Me desculpem os desconhecidos, mas esse post é em homenagem às mamaes corujas e os amigos próximos. Descobrimos que quase nao postamos fotos nossas, uma mania de querer fazer tudo documental..

Por isso, uma galeria de 40 fotos só nossas. Haja amor materno!

Design Vernacular 3 – Isla del Sol

Olá! Mais do design popular boliviano, desde la Isla del Sol!

"O Condor Andino vencerá a Águia Imperialista"

Clique na galeria abaixo para ver as imagens:

Resumo Fotográfico – El Alto, Copacabana e Isla del Sol

Saudacoes, mi pueblo! Gostaria de pedir desculpas aos leitores pelos  dias de abandono do blog, mas ficamos totalmente ilhados do mundo internético enquanto acampavamos no Norte da Isla del Sol, a beira do lago Titicaca, na Bolívia.  Antes estavamos com atualizacoes constantes porque paramos muito tempo em la paz, por razoes de saude e caganeira.

5 dias de caganeira paceña. Estavamos loucos pra sair fora!

  • El Alto

Saindo de La Paz – sede do governo boliviano, mas nao a capital do pais, que é a esperada Sucre – passamos por El Alto, grande periferia da cidade, que se ergue nos morros até o altiplano. A geografia desse lugar é realmente impressionante! La Paz é um buraco geográfico, e os bairros mais afastados estao no altiplano, que está abaixo dos grandes montes nevados.

El Alto e a Cordilheira Real, ao fundo

Mirada superficial sobre o pueblo de el alto, infelizmente nao conseguimos passar um tempo por lá

Chola viajando, como nao poderia faltar..

  • Copacabana

Chegamos em Copacabana, pequena cidadela no Titicaca, que é o ponto de passagem para a Isla del Sol. A cidade nao tem muito o que fazer, possui um numero sem fim de mochileiros perdidos e um turismo um pouco superficial e gringo demais.  Apesar disso, acabamos dormindo por lá, existem alojamientos bem baratos.

Cartaz tipico do turismo "paisagens e lhamas" para gringo ver

pueblo de copacabana

Uma curiosidade interessante para os brasileiros é que o nome Copacabana foi descaradamente plagiado da Bolívia para a praia carioca, por razoes nao muito claras. Dizem que se parecem, mas nao me pareceu :)

Praia de pedras e gringos

Ah, sim! Aqui tivemos o primeiro contato com LA TRUCHA! As trutas foram importadas dos Estados Unidos e sao criadas no proprio Titicaca. A carne lembra muito a do salmao, e o preco agrada: pagamos 15 bolivianos no prato com arroz, salada e papas (batatas), algo como 4 reais!

Trucha al limon

Trucha para todos los gostos

  • Isla del Sol

Um lugar realmente mágico, com uma historia incrivel que o atribui como berco da civilizacao Inca, a ilha deixou todos muito a vontade e um tanto  isolados do resto do mundo. Ficamos acampados no norte, que é menos explorado turisticamente que a regiao sul.

La pudemos ver de perto a filosofia dos povos originarios (tidos como indigenas pelo homem branco) em relacao a terra cultivada. Aqui existe um sistema muito antigo, que vem de antes d0 imperio inca, que é sao os Ayllus. De forma resumida, é uma pratica de terras coletivas (propriedade privada só a moradia de cada familia) que sao compartilhadas por muitas familias, somente com pequenas propriedades de diferentes manejos para garantir a sobrevivencia de todos. As decisoes sobre o que sera plantado em cada terreno e em que epoca sao todas coletivas. Algo realmente impressionante de ver na pratica. Depois de 3 ou 4 anos cultivo, cada terreno descansa 8 anos para ser replantado novamente.

Os campesinos e povos originarios estao com o Evo Morales e nao se abrem. Pela primeira vez na historia da Bolivia os indigenas terao reconhecidas suas autonomias juridicas, economicas e culturais, o que, na pratica, garante que se organizem da forma milenar de terras comunitarias e com leis locais. Nas ultimas eleicoes Evo (ou Huevo, como diz a bettina) teve 62% dos votos com uma participacao efetiva de quase toda populacao, sendo o voto nao obrigatorio.

Uniao perfeita entre belezas naturais e contato com com os campesinos originarios bolivianos!

Roupas de trabalho

Camponesita

Barqueiro local que transporta turistas por 5 pesos. Alguns hoje vivem exclusivamente do turismo na ilha.

Muitos tambem vivem com pequenos alojamientos improvisados e servindo refeicoes. Essa é a Sandra Malandra, uma chola de 11 anos!

Lenha de eucalipto para el fuego. O gas na ilha chega com precos altos..

Nos primeiros dias pegamos alguns temporais com chuvas intensas, o que acabou amenizando o o frio de lá. Apesar disso, as noites realmente exigiram os sacos de dormir para temperaturas abaixo de zero graus. Tivemos que usar inclusive os cobertores de emergencia, que sao de plastico aluminizado e realmente uteis para essas situacoes.

lluvia en la carpa

Mas nada impediu a bett e o eder de entrar no lago cedinho.. friaca!

As deliciosas sopas, muy quentinhas

Subida ao segundo pico mais alto da ilha.. mais de 4 mil metros de altitude!

E.. a Lhama! Que adora cuspir em turistas curiosos.

A ilha foi realmente marcante, passei meu aniversário lá e foi muito divertido. Todas as noites rolam varias rodas de som, com direito a violao e djembes.  O sol é fabuloso e com muita energia, fazendo jus ao nome desse lugar.

A novidade aqui é que os Trotamericas da Bolivia se separam. Jony e Rafa voltam para La Paz para pegar seu aviao em 2 dias e Eu, Anninha, Bett e Eder seguimos viagem..

  • Cusco

Nosso próximo destino foi a cidade de Cusco, no Peru, após uma viagem longa de mais de 10h. Chegamos bem cedo e encontramos um alojamiento (dica do dió, que aqui estava há varios dias) muito legal, com varios latinoamericanos, mesa de sinuca, internet na faixa e um pessoal bem hospitaleiro com um preco bacana. (12 soles).

Pra variar, chuva também no Peru

Estamos ha dois dias nessa cidade, que era a capital do Império Inca, e passa muita historia pelas ruas, pessoas e mercados. Vamos amanha cedo rumo a Machu Picchu pelo esquema mais roots que existe, onde menos se paga. Se tudo der certo, depois de amanha as 7 da manha estaremos no topo!

Um grande abraco a todos,

Rafael ¨Pira¨ Vilela

Design Vernacular 2 # La Paz


Hola hermanos! Mais um post de referencias visuais, dessa vez somente da cidade de La Paz, que estamos estacionados há 6 dias (muito por culpa da caganeira que atacou, mais isso é assunto pra outro post)

Clique nas imagens abaixo pra entrar na galeria: 

Pesos pesados! Curiosidade aos mochileiros

Jonxo e bett anotando a moléstia de cada trotamerica

Um dia desses resolvemos pesar as mochilas com a carga máxima, indo acampar. O resultado foi impressionante:

  • Anninha

Cargueira: 13.8kg, Total: 13.8kg

  • Bettina

Cargueira: 11.8kg, Ataque: 4.7kg, Total: 16.5kg

  • Éder

Cargueira: +20kg, Total: +20kg

  • Jojo

Cargueira: 16.4kg, Ataque: 3.9kg, Total: 20.3kg

  • Rafaela

Cargueira: 8.9kg, Total: 8.9kg

  • Rafa Pira

Cargueira: +20kg, Ataque: 2.1kg, Total: +21.1kg

O limite da balança era de 20kg, por isso quem tinha mais acabou ficando na duvida, mas acho que ninguem passava de 30kg, nao.

Eu achei que tava, no màximo, com uns 18kg, porem, com 2l de água e 1,6kg de batata (papas, aqui) acabaram forcando a coluna mais que o recomendável.

O ideal para “atletas” preparados é carregar, no maximo, 1/3 do peso de seu corpo. Para os recem iniciados, 1/4 ou 1/5 jà è bastante..

Design Vernacular

# Para os designers de plantao, uma pequena selecao das placas e letreiros populares que andei fotografando por aqui. É muita referencia visual, quis compartilhar..

A Coca, como podem ver, é a mesma mierda em qualquer lugar. E o baño aqui, muy rutes, nem nos lugares chiques tem papel higienico. Esse ai nao dava pra aguentar o cheiro..

Resumo fotografico

Buenos Dias! Vamos a mais uma session fotografica directamente de Cochabamba, Bolívia.

  • Santa Cruz(es): a capital dos ricos cruzenhos, possui um numero incontable de toyotas e 4×4 por metro quadrado e um centro bem chatinho pequeno burgues, com hoteis caros e nao muito o que fazer. Aproveitamos para comprar os itens que faltavam no mochilao e trocar doletas por pesos bolivianos. A ideia inicial era sair fora rapidinho, mas corriamos o risco de passar o reveillon em algum busao.

Alta culinária no chao do hotel com espiriteiras de alcool!

A desigualdade cruzenha: pequenino luta por alguns pesitos com seu violao em frente a uma loja de lingeries no centro de Santa Cruz

A Paceña é a cerveja local, ganhadora de muitos premios. Será que ela já experimentou?

  • Samaipata: Fomos entao para a pequena Samaipata (descanso nas alturas, em quechua, idioma originário), bem bonitinha e tranquila, mas ainda parecia que estavamos em um grande rally. É lá que os jipoes vao passar as férias longe da poluicao e barulho da ciudad. Fizemos uma viagem bem cansativa em 4h de micro onibus, subimos até quase 3 mil metros de altitude, a estrada possui um grande trecho de terra, o que piora um poquito a situacao.

A ida. Muchas gentes felizes, no dia do reveillon! Viajar por aqui é sempre uma emocao..

O Reiveillon. Ah, o reveillon.. nao foi possivel realizar fotos desse belo momento, mas garanto que passamos muy bien,  e resolvemos deixar a maquina na hospedagem. Assim que possivel vamos postar um video bem legal de la noche.

Muy limpia

Descansamos pós reveiáo e partimos hasta lo fuerte, umas ruinas incas que nunca chegamos a ver (50 pesos!), porque acampamos no meio do caminho. Com muita chuva.

A dupla dinamica

Grupo unido, com muito animo..

Meio do caminho: o grupo, o animo..

Tentaram queimar o evito..

Chegaaando lááá, mas que vergonha: só tinha fa-ro-fa! Ou XVI Encontro Regional de 4x4.

Para resumir, porque nao consegui mais tirar fotos até tudo ficar seco: no meio da tarde, alguns segundos depois dessa ultima foto, começou uma puuta chuva e nos, definitivamente, nao estavamos preparados para isso. Tivemos ainda que armar barracas, cozinhar, trocar as barracas de lugar (nao me pergunte como) e dormir, finalmente, depois de 5 km de role com muiito peso nas costas. Eu -pira-  estava com aproximadamente 22kg, pesamos de todos, mas isso fica pra outro post. Acordamos no dia seguinte e fomos para Mairana de Taxi, para comprar a passagem pra Cochabamba, a sonhada capital da artesanias. Mais uma vez: automoveis na bolivia sao PE-RI-GO-SOS! As estradas sao pessimas, cheias de buracos e com pedacos inesperados de terra, carros caindo aos pedacos, tiozinhos ruins de direcao e tudo más. O que salva é que a buzina de todo mundo funciona, e o povo parece se escutar..

"Hay que ser loco para manejar en bolivia" Retrovisor? Estrada? Painél?

  • Mairana

Llegamos en Mairana e, advinhem, perdemos o busáo para Cochabamba. Tivemos que dormir no pueblito, o que foi bom, porque estavamos com tudo tudo tudo molhado e precisavamos secar as coisas – tenis, barracas, roupas – para seguir viagem.

Mairana: cidade pacata. Ao fundo, nosso pouso.

A vista do hotel

Anninha muerta. Cade a yoga agora, hein?

A caganeira boliviana é um mito, segundo Jojo. Até que provem o contrário, essa é uma das melhores gastronomias del mundo!

  • Cochabamba: Fizemos uma viagem torturante porem muito linda de 10h de bus até Cochabamba. As empresas de onibus aqui vendem passagens para lotar até os corredores, por isso vao todos apertaditos, o que, por um lado, facilita a comunicacion.  O busao nao tinha freio de mao, entao toda hora que parava, incluso pirambeiras de mais de mil metros de altura, tinham que colocar pedras atras das rodas. A estrada era maravilhosa mas muuuito tensa, toda de terra, muitos metros de altura, cabuloso. Conhecemos uma familia muito simpatica e muito politizada de Oruro, que nos ensinou unas palabritas en quechua e contou onde poderiamos comprar as roupas mais baratas de Cochabambs. Alie Puinchen?

Frio, escuro, nevoa. Mas tudo muito bonito

Boliviana curtindo o role. Se liga, diò!

Cabloco andino e su casita


O resultado do role tremido no fundo do busao. A tal lenda da caganeira boliviana já comeca a nos parecer mais real.


O paraiso das roupas coloridas, quentinhas e baratas! Essa foi caruda.

É isso. Chegamos hoje de madruga em Cocha e estamos há 3 horas na lanhouse para mostrar a voceis todas las belezas de las tierras bolivianas (incluso o meu suntuoso portunhol). Vamos sair daqui pra ver un poquito más.

Abracos a todos,

rafael pira e anninha.

Corumba – Santa Cruz em fotos

Pessoal, o tempo ta curto e optamos por ir tomar umas cervejas em vez de ficar enrolando os leitores. Seguem as fotos dos ultimos 3 dias!

Esperamos passar o ano nuebo em Cochabamba, mas acho que vai ser dificil, o pais todo esta alagado com rodovias cerradas.

Besos, Pira.

Pira de Perfil, em Piracicaba

todos os angulos, muita ação!

Pira se apresentando! Ahuup. Com um modelito versátil, pronto para qualquer desafio na mata, na cidade ou na casinha de sapê. Começamos na parte superior com o estiloso boné da grife UFSC, seguido pela camiseta do brasil em Taidai e assim por diante. (O boné não está incluso de verdade, é do meu pai)

Bom galera, ja to pronto pra devorar o peru (natalino) e partir pras terras do norte.  Fiquei a semana inteira numa expectativa fudida, arrumando os ultimos detalhes, testando a tal da bolsa que me deu tanta dor de cabeça (e acabou sendo vermelha feia igual a do Jojo) e lendo uma porrada de coisas no fórum dos mochileiros, que, apesar dos pesares, tem dicas importantes.

Tô lendo também o livro “Se me deixam falar..” que é a história de uma mineira boliviana narrando a saga de seu povo, e falando sobre toda a conjuntura da Bolívia nos anos 70. A ideia era acabar ele antes de sair pra ler Veias Abertas por lá, mas tá dificil. E quero ler esse livro que elas tão lendo também, dei uma folhada (ou foleada?) e tem muita informação!

O roteiro do nosso grupo ainda está bem mal definido, sabemos alguns pontos principais, mas tá bem aberto. Todos estarão (né Eder?) dia 28 em Campo Grande e vamos fazer uma reuniao final pra fechar algumas coisas.

Acho que é isso, depois quero fazer um post com o lance dos equipamentos, pra facilitar a vida de quem estiver planejando uma viagem como essa no futuro.

Um beijo aos leitores,

Pira Vilela